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sábado, 24 de setembro de 2016

Discurso de Carlos Lacerda

“Do passado de um povo levantam-se vozes que ecoam no seu futuro. São as vozes dos que não temeram, as dos que não se curvaram, as vozes pioneiras, as vozes constantes, as vozes fiéis e generosas que lhe falaram a inteligência ainda mais que a emoção.
A democracia não é o governo dos piores e sim o governo em que o maior número escolhe os melhores. No Brasil, quando o povo em maior número conquistou o direito de escolher, logo se viu privado desse direito durante dez anos, pelo menos. 
Censura a imprensa, controle governamental sobre a escola e sobre a informação, propaganda política unilateral e maciça. Eis o que teve o povo brasileiro durante mais de dez anos. Assim, esse mesmo povo, convocado a escolher, foi deseducado para a escolha. 
A escola que deveria ser a melhor fonte foi depravada e desnaturada. A grande revolução a fazer no Brasil é a revolução da escola, mas esta não se consegue sem o voto. Este, por sua vez, não realiza sua obra revolucionária sem o verbo, sem a pregação, sem a mensagem de entusiasmo e de renovação.
Tudo hoje no Brasil parece convidar a confusão e ao desalento. A corrupção que se generaliza, a complacência que atingiu até os centros vitais da nacionalidade, tudo parece flutuar num mar de desesperança. 
Dizia que estão incapazes de reagir, de sobrepor-se as decepções e reafirmar a sua fé na liberdade e na honra, sem a qual nação alguma se sustenta.
A infiltração comunista faz-se as escâncaras, sob pretexto de um falso nacionalismo do qual está ausente o patriotismo e que se caracteriza pelo desprezo a liberdade e a honra. Esse nacionalismo que coloca um falso conceito de nação acima de tudo, inclusive da liberdade de produzir e de consumir, é uma posição tipicamente totalitária da qual o comunismo se serve para anestesiar as resistências nacionais e instalar no ventre do cavalo de pau nacionalista os agentes da traição que já encontram lugar no governo, nas forças armadas e na escola, impunes, estimulados pela deserção da justiça e pelo cansaço dos bons.
O cansaço dos bons, para me servir da expressão de Pio XII, fez com que contra um inimigo, para se apossar da consciência do povo, e instaurar aqui a pior tirania, que é a consentida, a tirania aplaudida, a tirania sem rebeldia. Tudo concorre para o cansaço dos bons, a começar pelo dinamismo dos maus. O ruim, no Brasil, parece ser o que mais atua. Os desonestos serão os mais dinâmicos. Essa lição: a visão de cada momento da vida brasileira em nossos dias.
Mas por isto mesmo é preciso reagir. Em cada setor, em cada campo, em cada canto, existem forças de futuro prontas a eclodir, como uma planta túrgida de seiva, a explodir em flores. Logo se anuncia a primavera. 
O sacrifício e no desencanto do povo, existem imensas possibilidades de ressurreição do seu civismo e de manifestação de sua vontade livre. 
Tudo depende de não desanimar. Tudo consiste em confiar no valor da resistência moral. Os que se impuseram pela força dos tanques, depois da insídia da fraude, podem ter os tanques que quiserem. Falta-lhes sempre a força final que é autoridade nascida do exemplo e da virtude cívica. Esta, a virtude cívica, acabará triunfante se ainda a tempo nos decidirmos a valorizá-la em nós, a despeito de nós, por cima de nossas fraquezas e desesperanças.
Hoje, nesta mesma hora, em alguma parte deste imenso país, nem tudo são roubos e ações malfazejas. Alguém trabalha, muitos se esforçam por fazer progredir o país dos governos fazem marcar passo. 

A crise moral e a crise material em que a nação se debate não são as únicas forças com que ela conta. Esta mesma hora, em muitos lugares do Brasil, há quem reze, há quem pense, há quem fale, há quem trabalhe com a cabeça, com os braços, por um progresso ao qual não faltará sentido na medida em que não nos separemos, não nos percamos, não nos deixemos vencer pelo cansaço.
Cada qual no seu lugar, por mais modesto que lhe pareça, tem algo a fazer pela terra em que vive, na qual nascem os que vão suceder ao seu esforço e hão de julgá-lo. Cada qual pode fazer alguma coisa, e todos querem fazê-la, para que o Brasil invés de afundar na ignomínia, ressurja. 

Para que a liberdade não pereça. Para que a honra prevaleça e o bem estar do povo, afinal, surja do trabalho e da inteligência do próprio povo.
Neste momento do mundo, de apreensões e de perspectivas que vão desde a da destruição a deslumbrante visão de uma humanidade redimida, o Brasil depende mais do que nunca do amor de seus filhos. Não continuamos a ser os cidadãos conformados de uma nação na qual quem rouba é quem manda mais e quem mais manda mais rouba. Não sejamos o paraíso do tolo e a delícia do esperto. Façamos deste país uma nação consciente. 
Confiante nas perspectivas do poder, serena em face das dificuldades a vencer, mas decidida a enfrenta-las e realizar na América uma civilização democrática, na qual, em feliz união, liberdade e autoridade se combinem.

Ao povo que acreditou em nós, some-se o outro: o que foi intrigado conosco, o que acreditou na calúnia, e pensando que se libertava, serviu ao que há de mais tenebroso no pântano: os batráquios que pedem rei, os corruptos que se medem pela fortuna que amontoam a custa da miséria alheia, os mandarins da República, os donos de todos os privilégios, os príncipes da corte maldita, os plebeus de um pátio de ambições horríveis, os cúpidos, os vorazes, os que dominam o Brasil há vinte e tantos anos e se habituaram a ter este país como uma estância sua e este povo como seus meros colonos."

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