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sábado, 18 de novembro de 2017

Como o governo gera pobreza

Como o governo gera pobreza


Quem pagou por aquele caminhão – um cara pobre ou um cara rico? A grande fonte de salários mais altos e alto padrão de vida é o capital. Considere: quanto vale um caminhoneiro sem um caminhão?
Deixemos a pergunta (e sua resposta intuitiva a ela) amadurecer um pouco, enquanto fazemos mais perguntas semelhantes sobre outras pessoas. Quanto vale um eletricista sem a energia elétrica? Quanto vale um jogador sem a TV? Quanto vale um garçom sem um restaurante? O que é o funcionário de uma loja sem a loja, sem um computador, sem um scanner de preços? Vou até perguntar sobre eu mesmo: quanto valho eu sem meu computador?

Vamos voltar para o caminhoneiro. Sem um caminhão, seu valor para os outros diminui para quase zero. Se o compararmos com um brutamonte carregando a carga do caminhoneiro nas costas, o brutamonte vale muito menos, não é? O caminhoneiro pode não ser tão esperto, tão educado ou tão forte, porém, ele vale milhares de vezes mais do que o brutamonte. Por quê? Por causa do caminhão.

Agora, faça uma pergunta simples: quem pagou por aquele caminhão – um cara pobre ou um cara rico? Você sabe a resposta. Quem empregou o caminhoneiro – e o manteve empregado – um cara pobre ou um cara rico? Provavelmente um cara rico. Poucos permanecem empregados por caras pobres, pelo menos por muito tempo.
Da mesma forma, quem pagou pela fábrica que construiu o caminhão? Um cara rico. Tudo bem, talvez vários caras ricos ou, nos Estados Unidos, indivíduos de renda média (que são ricos quando comparados com os padrões de vida daqueles que moram em outros países). O mesmo para a fábrica que produz chips de computador em volume suficiente para fazer seu preço cair para centavos de dólar por gigabyte, o que requer fábricas de bilhões de dólares.
Os pobres não as constroem; os ricos o fazem. O mesmo é verdade para os estúdios de iluminação de televisão onde o eletricista executa seus esquemas de iluminação, as fábricas de televisores e de cabos que colocam o jogador (e atores, e âncoras de notícias) na televisão; o restaurante e as fábricas que criam os suprimentos que cada trabalhador usa a cada dia de trabalho; a loja em que o funcionário trabalha, e o caixa e os scanners que ele usa.
E eu também. Eu valho muito menos sem meu computador, o que tornou as coisas imensuravelmente mais eficientes (mesmo que tenha permitido ao estado complicar as coisas a um ponto inimaginável na idade do papel e lápis). Não guardo rancor contra aqueles com cérebro e poupança para criar e construir os chips de computador e monitores que fazem meu trabalho muito mais eficiente do que seria sem tais chips e monitores. Na verdade, eu gostaria de facilitar as coisas para eles – o que me tornaria ainda mais valioso para os consumidores dos meus serviços. Eu gostaria de deixá-los ficar com mais de seus ganhos. Na verdade, todo ele.

Três maneiras de criar riqueza
Há apenas três maneiras de criar riqueza real, nenhuma das quais envolve transferências involuntárias ou, de forma clara, roubo. O óbvio é através da produção de bens ou serviços que são vendidos a compradores voluntários, ou doados a destinatários voluntários. Exceto por doações voluntárias de riqueza, se os outros não compram voluntariamente bens e serviços, então eles não lhes atribuem valores mais elevados do que os pagamentos feitos e, portanto, a riqueza não foi criada; ela foi consumida. Se forem voluntariamente doados, na medida em que os bens ou serviços eram de menor valor para o doador e de maior valor para o donatário, a riqueza foi criada, mesmo que não haja uma unidade com a qual medir essa criação de riqueza. (Ainda assim, não há nada errado ou imoral em relação a tal caridade.) Observe que as vendas ou outros tipos de transferências voluntárias implicam que tais bens e serviços funcionem, operem ou atuem conforme anunciado (ou seja, meios fraudulentos de transmissão não criam riqueza).
Uma maneira menos óbvia de criar riqueza é investindo em instalações, equipamentos, educação e treinamento que aumenta a qualidade e a quantidade da produção de bens e serviços que podem ser negociados. Uma maneira ainda menos óbvia é através da proteção do que foi produzido. Isso cria riqueza indiretamente: as pessoas são mais propensas a produzir aquilo que podem manter ou negociar por outros tipos de riqueza, o que significa que os direitos de propriedade e o cumprimento de contratos são fundamentais para a criação de riqueza.
A maioria das pessoas veem que educação ou treinamento criam riqueza, direta ou indiretamente. No entanto, por si só, pouca ou nenhuma riqueza é criada. Qual é o valor de um programador de computador sem um computador? Quanto valem jornalistas, atores ou atletas profissionais sem a TV e os bilhões em infraestrutura (privada) para exibir seus talentos? Quanta riqueza é criada por um soldador habilidoso sem equipamento de soldagem, ou máquinas ou ferramentas para soldar? Alguma riqueza é criada ao treinar um astronauta quando não há uma cápsula espacial (construída por empreiteiros privados)? Que tal um geólogo sem equipamento de perfuração, ou os milhões de dólares em equipamentos necessários para escavar – ou um caminhoneiro sem um caminhão?

O problema em tributar os ricos
Alíquotas mais altas de impostos em todos os níveis desencorajam o aumento da produção. Quando uma aposentada, com uma riqueza de conhecimento e uma vida de experiência, é obrigada a uma alíquota de imposto de renda federal de 46,25% [1] devido à forma como a previdência social é adicionada à base tributável, ela é muito menos propensa a trabalhar – o que significa que ela é menos propensa a produzir coisas que os outros consomem. Quando perceber que ela é atingida com 15,3% de imposto para profissional autônomo e um imposto de renda estadual de 9% em cima do imposto federal de 46,25%, é provável que ela deixe o trabalho; afinal, até mesmo os servos eram obrigados a entregar a César apenas 20% do que produziam.
Quando um jovem empreendedor compreende o fato de que cada dólar que ele ganha, representando a criação de bens ou serviços que os outros voluntariamente compram, está sujeito a taxas de 40% de imposto, ele será muito menos propenso a trabalhar mais e mais. Em algum momento, o trade-off por prazer é percebido como tendo mais valor do que o trabalho, o que significa que a provisão de valor para os outros atinge um limite precoce.

Pior, o empresário em desenvolvimento tem menos capital, o que se traduz em menos produção e menos compras das ferramentas, dos equipamentos e do treinamento contínuo necessários para aumentar a produtividade – diminuindo assim a oferta de bens e serviços que de outra forma seriam disponibilizados a terceiros.
Os investidores são muitas vezes de uma raça diferente. Eles geralmente não param de investir, tornando-se alvos suculentos para uma tributação exorbitante. No entanto, os impostos retiram de seus cofres os fundos com os quais criam instrumentos, equipamentos e maquinários necessários para o uso dos trabalhadores-produtores instruídos, formados ou qualificados.
Tais fundos são transferidos para as mãos do governo, que em geral simplesmente transfere fundos e, quando investe (como em infraestrutura e educação) tem provado de novo e de novo ser um medíocre investidor (pensa na Solyndra). Pela falta de um mecanismo de feedback informando se está fazendo um trabalho ótimo, bom ou péssimo – especificamente, um lucro ou um prejuízo que ameace colocar o investidor fora de mercado (ou realmente o faz) por não agradar o rei consumidor – bens e serviços não são tão eficientemente fornecidos.
Se, em vez disso, os investidores pudessem manter seus fundos e investir, todos nós seríamos mais ricos – incluindo aqueles de nós que ganhamos a vida usando caminhões e computadores.
Depois de certo ponto, as pessoas ricas investem. Elas muitas vezes vivem muito abaixo das suas condições e investem o resto. Logo, são realmente elas que se beneficiam de seu capital? Não. São as bilhões de pessoas que se beneficiam com os bilhões investidos em fábricas de microchip; e os bilhões que se beneficiam das instalações para a produção de carros; são as milhões de pessoas que se beneficiam de passeios na Disneyland todos os anos, onde a maioria dos americanos podem fazer vários passeios de milhões de dólares ao preço de um dia de trabalho ou menos.
Os benefícios do capital – de propriedade tanto de super ricos como da classe média-alta, em grande parte através de contas de aposentadoria, investindo montantes mais modestos – são fornecidos para nós, desde smartphones e laptops, até viagens à Disneyland e cruzeiros oceânicos – para o nosso proveito por uma pequena fração do custo desse capital. Bilhões para o deleite e benefício de bilhões.

Pare com os impostos
Portanto, baixas alíquotas marginais de imposto sobre aqueles de rendimento elevado são desejáveis não porque eles precisam do dinheiro, mas sim porque nós precisamos – sob a forma de capital, que inclui fundos investidos. Somente isso cria as instalações e equipamentos que produzem nossos smartphones e aviões e navios de cruzeiro tornando possíveis nossas férias em lugares distantes nos quais apenas um século atrás nossos ancestrais não podiam sequer sonhar.
Este capital também é a mãe da igualdade de renda: quando você considera todas as “coisas” que temos hoje, que ou não existiam há cinquenta anos, ou existiam mas para as quais seu custo desabou, o capital iguala o poder de renda para os não-qualificados, fracos e enfermos.
Considere: quase qualquer um pode operar máquinas que fazem a grande maioria do trabalho – a produção – e ganhar uma renda decente. Uma pessoa com um QI de 120 não tem qualquer vantagem sobre outra com um QI de 80 ao operar um grande equipamento; nem uma pessoa de 110 quilos tem uma vantagem sobre outra que pesa 55 quilos. Um homem não tem vantagem sobre uma mulher programando ou operando um computador. Os não-deficientes têm pouca ou nenhuma vantagem sobre os deficientes na criação de imagens de computador.
Alíquotas de impostos baixas e uniformes criam uma fonte de capital. Pessoas de renda média a alta que não consomem todos os seus ganhos investem suas economias e criam o capital necessário para a indústria e os equipamentos – as fábricas de microprocessadores e caminhões – que criam um padrão de vida mais alto para todos, incluindo os pobres, enfermos e deficientes.

Notas:
[1] Todas as contas desse parágrafo fazem referência ao sistema tributário americano. Mesmo sem conhecer tal sistema, no entanto, é fácil entender o ponto do autor. (N. do E.)

Autor: Doug Thorburn.
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Pesquisas comuns sobre Como o governo gera pobreza respondidas nesse vídeo: 1 Como o governo gera pobreza 2 Imposto o mecanimos 3 Jesus Huerta de Soto 4 Imposto é roubo 5 Hans-Hermann Hoppe 6 #FranciscoAmado 7 canal hipocritas 9 Anarco Capitalismo 10 quanto imposto se paga no Brasil

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

AnCap - Minarquismo Toda Anarquia Gera Poder de Estado

AnCap - Minarquismo Toda Anarquia Gera Poder de Estado


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=================================== SOBRE AS MENTIRAS DO AQUECIMENTO http://revistacalibre.blogspot.com.br... Exibido em 8/3/2007 pelo Channel 4 britânico, "A Grande Farsa do Aquecimento Global" (de Martin Durkin) vai na contramão de "Uma Verdade Inconveniente" (de Al Gore), reunindo os depoimentos de cientistas reconhecidos para denunciar que a teoria do aquecimento global causado pelo homem não tem base científica e que a elevação da temperatura decorre de um ciclo natural. http://www.youtube.com/watch?v=Pg3TRo... ===================================

Pesquisas comuns sobre AnCap - Minarquismo: Toda Anarquia Gera Poder de Estado respondidas nesse vídeo: 1 Toda Anarquia Gera Poder de Estado 2 AnCap - Minarquismo 3 Jesus Huerta de Soto 4 Canal Nostalgia 5 Hans-Hermann Hoppe 6 #FranciscoAmado 7 AnCap 9 Anarco Capitalismo 10 Aquecimento global.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Instrumentos de tortura atribuídos à inquisição

instrumentos de tortura atribuídos à inquisição

Chega às raias da irracionalidade as mentiras e o ódio que certas pessoas nutrem pela Igreja Católica – ódio preenchido com acusações  tolas, idiotas, absurdas, infantis, irracionais e com acessos de fúria injustificados recheados de falsa propaganda para difamar a Igreja. 

Um exemplo disto são os tais “Instrumentos de tortura utilizados na Inquisição” presente em diversos sites e vídeos internet à fora. Sem qualquer tipo de referência histórica, os propagadores deste mito utilizam gravuras e explicações de como esses instrumentos eram utilizados, atribuindo isso a “malvada e aterrorizante inquisição”.

A maioria dos instrumentos alegados sequer existia na época que a Inquisição operava, tal qual a “Dama” ou “Boneca de Ferro”, que surgiu no fim do século XVIII, já quando a inquisição estava acabando, feita por um artista e que nunca foi utilizada para torturar ninguém em nenhuma época, mas é alegada ter sido usada na Inquisição.  

Neste presente texto, gostaríamos demonstrar ao leitor a mentira dos principais instrumentos atribuídos a torturas na Inquisição, bem como desmitificar a lenda negra da tortura deliberada nos tribunais desta instituição.

 

O USO DA TORTURA NA INQUISIÇÃO

Embora os tribunais inquisitoriais recorressem a tortura, ela era raramente aplicada. Vários estudos realizados por estudiosos recentes têm argumentado que a tortura era praticamente desconhecida no processo inquisitorial medieval. O registro de Bernard Gui, inquisidor de Toulouse por seis anos, que examinou mais de 600 hereges, mostra apenas um caso em que foi usada tortura. Além disso, nas 930 sentenças registradas entre 1307 e 1323 (e vale a pena notar que registros meticulosos eram feitos por notários pagos escolhidos entre tribunais civis), a maioria dos acusados foi condenada à prisão, ou ao uso de cruzes, e penitências, sem qualquer tortura.
 
Que a inquisição raramente usou a tortura em seus processos, ao contrário do que alegam os difamadores, é afirmado pela quase totalidade das maiores autoridades modernas sobre a Inquisição.  

O Prof. Doutor Henry Kamen (maior autoridade viva sobre a Inquisição Espanhola) em seu livro “Spanish Inquisition: A Historical Revision” afirma:
“A tortura era usada, normalmente como um último recurso e aplicada em apenas uma minoria dos casos. Muitas vezes, o acusado era apenas colocado em conspectu tormentorum, quando a visão dos instrumentos de tortura já provocava uma confissão. Confissões obtidas sob tortura não eram aceitas como válidas, porque elas obviamente tinham sido obtidas por pressão. Era, portanto, essencial para o acusado ratificar sua confissão no dia seguinte à provação.” (Spanish Inquisition: A Historical Revision Pg. 188)

No documentário sobre “A Lenda da Inquisição Espanhola”, produzido pela BBC de Londres, ele dá números mais exatos:

“Na verdade, a Inquisição usava tortura muito raramente. Em Valência, descobri que de 7.000 casos, apenas dois por cento sofreram alguma forma de tortura em tudo e, geralmente por não mais de 15 minutos... Eu não encontrei ninguém sofrendo tortura mais do que duas vezes”. (“O mito da inquisição espanhola”  Documentário da BBC, Nov. 1994)

O Prof. Jaime Contreras concordou:

“Nós encontramos, ao comparar a Inquisição espanhola com outros tribunais, que a Inquisição espanhola utilizava a tortura muito menos. E se compararmos a Inquisição espanhola com tribunais de outros países, vemos que a Inquisição espanhola tem um registro praticamente limpo no que diz respeito à tortura.” (“O mito da inquisição espanhola”  Documentário da BBC, Nov. 1994)

Também o Historiador Rino Camilleri em sua “La Vera Storia dell’ Inquisizione” explica:

“As fontes [históricas] demonstram muito claramente que a Inquisição recorria à tortura muito raramente. O especialista Bartolomé Benassa, que se ocupou da Inquisição mais dura, a espanhola, fala de um uso da tortura "relativamente pouco frequente e geralmente moderado, era o recurso à pena capital, excepcional depois do ano 1500". 

O fato é que os inquisidores não acreditavam na eficácia da tortura. Os manuais para inquisidores convidavam a que se desconfiasse dela, porque os fracos, sob tortura, confessariam qualquer coisa, e nela os "duros" teriam persistido facilmente. 

Ora, porque quem resistia à tortura sem confessar era automaticamente solto, vai de si que como meio de prova a tortura era pouco útil. Não só. A confissão obtida sob tortura devia ser confirmada por escrito pelo imputado posteriormente, sem tortura (somente assim as eventuais admissões de culpa podiam ser levadas a juízo).” (Rino Camilleri - La Vera Storia dell ´Inquisizione, pg. 46-47).

O historiador Jean Dummont diz:

“E os mesmos inquisidores - que usaram muito pouco a tortura - como veremos nos capítulos dedicados à Inquisição rejeitam explicitamente em seu grande Directorio, ·o de Eimerico, que escreve: “A tortura é enganadora e ineficaz”. E rejeitaram tanto que, como veremos, a queda real da tortura romana começa historicamente com os tribunais canônicos da Inquisição.” (Jean Dummont – La Iglesia Ante El Reto de la Historia - Página 58)

A professora de história Medieval Marian Horvat concorda:

“A tortura foi autorizada pela primeira vez por Inocêncio IV na bula Ad Extirpanda de 15 de Maio, 1252, com limites que não poderiam causar a perda de um membro ou pôr em perigo a vida, só podia ser aplicada uma vez, e apenas se o acusado já parecesse praticamente condenado de heresia por provas múltiplas e determinadas. Certos estudos objetivos realizados por estudiosos recentes têm argumentado que a tortura era praticamente desconhecida no processo inquisitorial medieval. 

O registo de Bernard Gui, o inquisidor de Toulouse por seis anos, que examinou mais de 600 hereges, mostra apenas uma instância em que foi usada tortura. 
Além disso, nos 930 sentenças registradas entre 1307 e 1323 (e vale a pena notar que registros meticulosos foram mantidos por notários pagos escolhidos entre tribunais civis), a maioria dos acusados foi condenada à prisão, ou ao uso de cruzes, e penitências. Apenas 42 foram abandonados ao braço secular e queimados.” (Marian Horvat - Inquisição: Mito e realidade)

Nicolau Eimeric (trataremos especificamente sobre ele em outro texto) em seu “Directorium”, como menciona Jean Dummont, apesar de aceitar a tortura, diz que ela é ineficaz e enganosa, e exclama: “Que isso se faça sem crueldade, nós não somos carrascos”. E explica que a tortura só haveria de ser aplicada quando houvesse acabado todos os meios possíveis de descobrir a verdade:

“O tormento não se deve ser utilizado até terem sido utilizados todos os outros meios de descobrir a verdade, porque muitas vezes os bons modos bastam para fazer com que o réu confesse, o jeito, as suas próprias reflexões, as exortações dos indivíduos bem-intencionados, e desconfortos da cadeia. A tortura não é o meio infalível de apurar a verdade. Homens pusilânimes na primeira dor já confessam crimes que não cometeram; outros valentes e robustos suportam os tormentos mais cruéis.” (Adnotat. Lib III)

Quando a tortura era utilizada os métodos a que recorriam os tribunais inquisitoriais eram a garrucha, toca e o potro. A aplicação da garrucha, também conhecida como o strappado, consistia em suspender o criminoso no teto por uma polia com pesos amarrados aos tornozelos, com uma série de elecações e descidas, durante os quais os braços e pernas sofriam puxões violentos e às vezes eram deslocados. 

A toca, também chamado de tortura de água, consistia em introduzir um pano na boca da vítima, e forçá-los a ingerir água derramada de um frasco de modo que eles tinham impressão de afogamento que segundo Henry Kamen “Foi o procedimento mais comum até o século XVI”.  (A Inquisição Espanhola. Uma revisão Histórica. Pg.186.)

O potro, ou raque, foi o instrumento de tortura usado com mais frequência após o século XVI, consistiam em uma tábua na qual colocavam o réu, e amarravam seus membros com cordas, a medida que a tortura ia continuando as cordas eram apertadas causando dor ao acusado, em alguns casos estas tábuas tinham alguns pregos que feriam o réu.

Assim define Henry Kamem:

A regra básica na tortura era determinada que o acusado não deveria sofrer nenhum perigo de vida ou de ferimentos graves. Pelo direito da Igreja, tribunais eclesiásticos não podiam matar nem poderiam derramar sangue. Nenhuma torturas distinta foi utilizada pela Inquisição. As mais frequentemente empregadas eram comumente usadas em outros tribunais seculares e eclesiásticos, e quaisquer queixas de novas torturas certamente referem-se raras exceções. 

Os três principais foram a garrucha, a toca e o potro. A garrucha ou polia consistia em pendurar pelos pulsos a partir de uma roldana no teto, com pesos pesados ligados aos pés. O acusado era levantado devagar e de repente deixava-se cair com um puxão. O efeito era estirar e talvez deslocar braços e pernas. O toca ou tortura de água era mais complicada. 

O acusado era preso em uma madeira, sua boca era mantida à força aberta e um pano toca ou linho era colocado em sua boca para conduzir a água derramada lentamente de um frasco. 

A gravidade da tortura variava com o número de vasos de água utilizadas. O potro, que foi o mais comum após o século XVI, consistia em amarrar em uma tábua por meio de cordas que eram passadas em volta do corpo e membros e eram controladas pelo carrasco, que os apertados por nós nas cordas no fim. Com cada aperto as cordas feriam o corpo e apertavam a carne. (Henry Kamem – The Spanish Inquisition: A Historical Revision. Pg. 190)

A LENDA DOS INSTRUMENTOS

Para refutar  a utilização de todos os instrumentos, bastaria-nos negar a sua utilização, pois a totalidade dos sites e propagadores desses instrumentos não trazem qualquer referência ou documento que prove a utilização deles pela inquisição, logo, o que é afirmado sem provas, pode ser negado sem provas. Porém, para o estudioso da inquisição, este método não satisfaz, é necessário, portanto, fazermos a análise da história desses instrumentos. 

Além dos instrumentos, é necessário lembrar das diversas gravuras que são propagadas sobre as sessões de tortura, que são frutos de artistas que não viram qualquer sessão.

O historiador Jean Dumont, atualmente o melhor defensor da Inquisição, ressalta que gravuras do século 16 retratando Autos de Fé (anúncio público da sentença dos investigados pela Inquisição) exibiam construções com telhado triangular. Este tipo de arquitetura era comum nos Países Baixos e no vale do Reno regiões que são protestantes, não na Espanha. Esse detalhe revela as origens protestantes das gravuras.

 A DAMA (OU VIRGEM) DE FERRO

A Dama de Ferro é provavelmente o mais famoso instrumento de tortura da história. A Dama de Ferro não é nem medieval ou da inquisição e nem um instrumento de tortura. Não existe nenhum registro histórico de uma “Dama de Ferro” até 1793.

No século XIX, catalogou-se a Dama de Ferro como instrumento medieval e ela foi exposta em diversos museus pelo mundo. O San Diego Museum of Man e o Museu Universitário de Meiji também a expuseram, mas contraditoriamente um colunista da própria página do San Diego Museum of Man publicou, no dia 25 de Julho de 2012, um artigo chamado 'Medieval Imposter: the Iron Maiden', “A Dama de Ferro, impostora medieval”. Neste texto, o colunista refuta o suposto uso de tal instrumento em uma execução realizada no dia 14 de agosto de 1515; a narração era um conto, uma fábula, com pouco ou nenhum valor histórico. [1]

Assim declara o Dr. Vortrag Klaus Graf:

“O objeto de execução, ‘Dama de Ferro’, é uma ficção do século XIX, já que somente a partir do século XIX que as chamadas "rishard cloaks", também chamadas de “damas”, foram providas de espinhos de ferro; deste modo, os objetos foram adaptados para as fantasias terríveis na literatura e nas lendas.” (Mordgeschichten und Hexenerinnerungen - das boshafte Gedächtnis auf dem Dorf, June 21, 2001)

GUILHOTINA



A guilhotina é mais um dos casos de instrumentos que surgiram após inquisição, mas são atribuídos a ela. Não existe qualquer relato do uso desse instrumento pela inquisição, até porque uma das regras da Inquisição era não derramar sangue.  

Também, não há nenhuma evidência histórica que a guilhotina tenha sido usada antes da Revolução francesa. Porém a história da guilhotina começou muito antes, mas quando e onde exatamente, ninguém sabe. Após 1577 algumas histórias contam que máquinas parecidas como a guilhotina foram usadas na Alemanha, Grã-Bretanha e Itália, em 1300, por alguns tribunais seculares, mas não há nenhuma evidência clara para provar isso.

Somente em 1789 que o parlamento Francês seguindo o conselho do Dr. Guillotine, (dai o nome Guilhotina) recomendou que o machado e a espada fossem substituídos por esse instrumento, para evitar o sofrimento do réu, que muitas vezes sofria com os vários golpes de machado e espada até serem completamente decapitados. [2]

A PERA

A “Pera” ou “Pera da angústia” é mais um instrumento falsamente atribuído a inquisição. 

Além de não existir qualquer registro histórico que ela tenha sido usada na Inquisição, não existe qualquer referência a ela antes do século XVII, e não há qualquer registro que ela tenha sido usada por quem quer que seja, exceto alguns ladrões holandeses que para torturar seus inimigos, teriam supostamente utilizado esse instrumento.  

Outro mito é que esse instrumento seria utilizado para “rasgar” o ânus ou órgãos genitais das pessoas, não existe qualquer fundamento, mesmo os ladrões holandeses utilizavam apenas para abrir a boca das pessoas. [3]

A CADEIRA ESPANHOLA


 
Outro mito é a “Cadeira espanhola” ou “Cadeira das Bruxas”. Parecia uma poltrona com pregos transpassando-a. Supostamente a pessoa era amarrada neste monstro de metal e os pregos realmente justos ao seu corpo e, em seguida, seus pés eram descalços e era aceso no fogo até que falasse. Soa hediondo, não é? Ainda bem que os espanhóis nunca contrataram quaisquer fabricantes de móveis para fazer este dispositivo de “descanso”.

Não há absolutamente nenhum registro dele antes que ele aparecesse em um museu para assustar as pessoas em 1800. É uma farsa. Ninguém estava depravado o suficiente para realmente usar esta coisa em uma pessoa viva, muito menos a Inquisição Espanhola.
 

BERÇO DE JUDAS


 
O berço de Judas também conhecido como culla di Giuda foi inventado no século XVII e não há qualquer registro de seu uso pela inquisição, a não ser gravuras atribuídas a inquisição. Neste método, o condenado era içado para cima da pirâmide e era repetidamente e violentamente puxado para baixo, machucando seu ânus e ou vagina.

A invenção deste instrumento é atribuída a Ippolito Marsili, professor de direito canônico e penal que viveu entre os século XV e XVI. 
É falsamente atribuído a Ippolito Marsili, pelo simples fato que Ippolito sendo contra a tortura corporal pelos tribunais seculares, onde o réu ficava a mercê dos juízes, inventou o “tormento do sono”, que consistia em colocar o acusado em uma cadeira e não deixá-lo dormir até que confessasse. 

Para ele a privação do sono era um meio mais “humano” de tortura, já que não conseguiria abolir a tortura, e já que não infringia nenhum dano físico ao réu. Foi um avanço na abolição das torturas cruéis.[4]

Depois da criação do “berço de Judas”, que também utilizava a privação do sono como parte do procedimento, criou-se a associação entre a privação do sono de Ippolito, e o “berço de Judas”, inventado no século XVII.

 

A SERRA


Esta “técnica” consiste em colocar o acusado suspenso pelas pernas e o serrar verticalmente. É uma prática muito antiga que remonta ao reino persa, porém não há qualquer registro que tal prática tenha ocorrido na Inquisição. Os tribunais inquisitoriais não usavam nada que derramasse sangue, por isso os condenados a morte por heresia iam para a fogueira.

O único caso deste instrumento ter sido usado na Europa Católica, ocorreu na Espanha na época da revolta dos moriscos, onde um morisco é relatado como tendo sido serrado em 1568. [5]

CONCLUSÃO

Tratamos aqui apenas dos instrumentos mais famosos, existem outros como a esmaga cabeça, esmaga joelho, esmaga seio, “forquilha do herege”, roda dos despedaçamento, instrumentos que não tem qualquer tipo de registro que tenham sidos utilizados nos tribunais da inquisição. 
O ódio contra a Igreja e a preguiça de estudar a história como ela realmente aconteceu, faz com que as pessoas ajam como seres irracionais, vociferando acusações contra a Igreja, sem se darem conta da mentira e do papel lamentável a que se prestam.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Defender a existência do estado é algo radical e incoerente

Defender a existência do estado é algo radical e incoerente 

Ao lidarmos com a alegação de que alguma doutrina antiestado (por exemplo, o anarcocapitalismo) seria perigosa na prática — por causa de seu caráter radical —, é válido apontar o patente radicalismo presente em todas as doutrinas que defendam a existência de um estado.

Entretanto, apenas isso não basta.  Sugerir que o radicalismo per se não é o problema de qualquer doutrina socioeconômica é uma postura válida, porém insuficiente.  O que é ainda mais válido é enfatizar que qualquer teoria que defenda a existência de um estado não é apenas radical; é também radicalmente incoerente.  Essa é uma descrição bastante adequada para teorias que dizem que:

1.  A única maneira eficaz de se proteger contra a violência, agressão e coerção de terceiros é ajudando a instituir e a sustentar eternamente um vasto aparato que detém o monopólio da violência, da agressão e da coerção institucionalizada.

2.  A única maneira eficaz de se proteger os direitos de propriedade é ajudando a instituir e a sustentar eternamente uma entidade coerciva cujos representantes não apenas não são donos de nenhum dos ativos dessa entidade, como também se arrogam a si próprios o direito de expropriar qualquer proprietário de qualquer propriedade, para propósitos cuja utilidade cabe apenas a eles avaliar.

3.  A economia de livre mercado — cujos participantes, com o intuito de prosperar, têm de ofertar uns aos outros bens e serviços produtivos, assim como têm de sofrer todas as responsabilidades financeiras decorrentes de potenciais fracassos de suas ações — pode sobreviver apenas quando submetida à regulação intensa de um grupo monopolístico formado exclusivamente por pessoas que nada produzem, e que podem sempre jogar os custos de seus fracassos sobre os ombros dos produtores.

4.  A coerção do estado é necessária para fazer cumprir os contratos.  Entretanto, o pretenso “contrato social”, aquele que supostamente estabeleceu o estado, curiosamente não precisa de nenhum meta-estado para impô-lo, o que significa que ele na verdade é uma anomalia que se auto-impõe e se faz cumprir.

5.  Os gerentes de qualquer aparato monopolista da compulsão e da agressão são dotados de motivações exclusivamente altruístas.  Entretanto, se estas mesmas pessoas parassem de utilizar métodos coercivos (atividade política) e se dedicassem a métodos voluntários (atividade de mercado), seu altruísmo seria imediatamente suplantado pelo egoísmo vil e ganancioso.

6.  Os estados, instituições responsáveis por mais de 200 milhões de mortes cruéis apenas no século XX, supostamente servem para nos oferecer proteção contra “criminosos privados” — os quais, mesmo em sua mais organizada forma de redes mafiosas internacionais, nunca lograram sequer chegar perto da mais ínfima fração do número de mortes causadas pelos estados.

7.  O estado de anarquia entre os indivíduos — sendo que cada um deles pode, em termos gerais, financiar suas atividades apenas com seu próprio bolso — iria levar a uma intolerável escalada da violência e da carnificina, mas o estado de anarquia entre os estados — sendo que cada um deles pode impor os custos de suas atividades (inclusive belicistas) sobre todos os seus súditos — é um arranjo tolerável e relativamente pacífico.

8.  A ausência de um fiscal externo e monopolista que impinge a execução de acordos entre indivíduos iria levar a infindáveis conflitos, porém a ausência desse mesmo fiscal externo e monopolista em relação a vários órgãos do estado não os impede de cooperar eficazmente e até mesmo benevolentemente.

9.  Conceder a tarefa de zelar pela justiça a uma entidade que é ao mesmo tempo monopolista e coerciva não irá fazer com que ela continuamente perverta a justiça a seu favor.

10.  A noção de um sistema de pesos e contrapesos, pelo qual os governantes controlam os governados e os governados controlam os governantes não viola o princípio da navalha de Occam, similar à visão na qual um único grupo de indivíduos autogovernantes mantém-se perfeitamente em equilíbrio pacífico.

11.  Os governados são sábios o bastante para escolher seus governantes, mas não para escolher como utilizar seu próprio dinheiro.

12.  Dois viajantes que se trombarem no meio de uma floresta desabitada não irão imediatamente se atracar e se esganar apenas porque temem serem punidos pelo estado.

13.  Uma instituição que violentamente impõe seus serviços de proteção sobre as pessoas, determina unilateralmente seu preço e exclui toda a concorrência nessa área, não irá tentar criar conflitos para se beneficiar deles, e tampouco irá deixá-los evoluir ao invés de pacificá-los ou mesmo impedi-los de ocorrer.

14.  A expropriação compulsória da propriedade privada de um indivíduo não deve ser considerada uma violação de um direito (considerando-se que haja uma “devida compensação monetária” determinada unilateralmente), porém a recusa de abdicar de uma parcela da riqueza que o indivíduo criou independentemente ou adquiriu contratualmente é uma violação direta, justa e clara de vários direitos.

15.  Os direitos políticos precedem os direitos de propriedade, o que presumivelmente significa que o contrato social supostamente original foi concluído por uma fogueira em uma caverna e escrito na parede da caverna — caso contrário, estar-se-ia dizendo que as condições do mundo pré-contrato, misteriosamente e sem qualquer distribuição de propriedade, permitiram a criação do capital necessário para (pelo menos) abrigar os indivíduos que assinaram o contrato e fornecer-lhes tinta e papel.

16.  Ter uma clientela suficientemente grande transforma aquilo que normalmente seria considerado um roubo em larga escala em algo que é comumente aceito como sendo parte de um serviço social necessário.

17.  Um grupo relativamente pequeno de pessoas é capaz de possuir mais conhecimento e tomar decisões mais informadas e embasadas no que tange o gerenciamento de atividades de qualquer sociedade do que todo o resto da sociedade em questão.

18.  A noção de igualdade perante a lei abre espaço para privilégios funcionais.

19.  O respeito incondicional pelo princípio da não agressão é “absolutista”, mas o respeito incondicional pelas leis criadas pelo estado não é.

20.  A prevalência do estatismo indica a vantagem desse sistema sobre os outros — como se o mesmo não pudesse ter sido dito sobre a astrologia, a escravidão, a perseguição ou difamação de uma pessoa ou de um grupo de pessoas, e a discriminação racial legal.

21.  Cada uma das afirmações acima é solidamente justificada, tanto teórica quanto empiricamente, ao passo que a negação de qualquer uma delas está fundamentalmente além dos limites da integridade e da moralidade de qualquer discussão sensata.

Tendo enumerado esses (ou outros) argumentos, vale a pena confrontar o estatista com a tarefa de defender a supostamente moderada natureza da doutrina que ele defende.  E mesmo que ele aguente a dor de confessar e reconhecer o radicalismo do estatismo, deve-se resolutamente confrontá-lo com outra tarefa igualmente difícil — a de defender a suposta coerência do estatismo.  Se ele admitir derrota nessa tarefa também, não devemos ficar intelectualmente surpresos, mas ao menos poderemos nos sentir taticamente satisfeitos.

Jakub Bozydar Wisniewski é filósofo graduado pela Universidade de Cambridge. Atualmente trabalha em seu PhD, experimentalmente voltado para a teoria dos bens públicos de acordo com a Escola Austríaca de Economia, na Queen Mary, University of London.  Já publicou artigos em, dentre outros, The Libertarian Papers, The Quarterly Journal of Austrian Economics e LewRockwell.com. 

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