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Libertario Anticristão é Fake.

07:54:00


 A impressão que temos hoje é de que o libertarianismo é uma ideologia extremamente dogmática, não uma corrente filosófica. Isso porque a grande maioria dos libertários atualmente são movidos por uma ideologia que eles criaram com base do relativismo iluminista. Ora, a filosofia tem como objetivo alcançar a verdade. O libertarianismo é uma doutrina filosófica ética-jurídica. E o que é ética? É parte da filosofia encarregada da investigação do comportamento. 
 
Quanto a moral, é algo mais abrangente. É o que nos orienta para o comportamento adequado para a sociedade. Logo, o libertarianismo é uma doutrina filosófica ética-jurídica com o objetivo de demonstrar que a liberdade deve ser legalmente maximizada, i.e., o estado deve ser aniquilado, uma vez que ele é legal e eticamente ilegítimo por violar os princípios básicos da ética e moral.

A moral como conhecimento objetivo e guia
Ora, a moral deve ser então algo objetivo. Ou seja, ela deve ser como é independente das opiniões e vontades alheias. A moral humana deve seguir assim a Lei Natural. Mas existe uma Lei Natural? Sim. O Doutor Angélico já afirmou que “entre todas as criaturas, a racional está sujeita à Divina Providência de modo mais excelente, por participar ela própria da providência, provendo a si mesma e às demais. Portanto, participa da razão eterna, donde tira a sua inclinação natural para o ato e o fim devidos. E a essa participação da lei eterna pela criatura racional se dá o nome de lei natural” (Suma Teológica IaIIæ, q. 91, a. 2). Murray Rothbard em A Ética da Liberdade quis demonstrar que a Lei Natural para ser constatada não seria necessário uma revelação divina ou experiência religiosa, mas que bastaria a razão. 

Resumindo: Rothbard procurou adequar a filosofia tomista ao racionalismo (o que não deixa de ser um erro, já que o racionalismo em si rejeita a ideia de que a fé é uma ferramenta que auxilia a razão de chegar à verdade. Em geral é visto como uma parte do fideísmo). 

Rothbard escreveu no primeiro capítulo:
A declaração de que existe uma ordem de lei natural, resumidamente, deixa em aberto a questão de se foi ou não Deus quem criou tal ordem; e a afirmação de que a razão humana tem capacidade para descobrir a ordem natural deixa em aberto a questão de esta razão ter ou não sido dada ao homem por Deus. A afirmação de uma ordem de leis naturais passível de descoberta pela razão não é, por si só, nem pró e nem antirreligiosa. [1]

Decerto pode não ser nem pró e nem antirreligiosa, mas o que vemos dentro de uma visão utilitarista é a rejeição da Lei Natural. Ora, como o Santo Tomás define a Lei Natural? Como a participação da Lei Eterna pela criatura racional, que é o homem. Apenas o homem é racional. Para existir a Lei Natural, é necessário que ela derive de outra maior. O homem não rouba (ou a maioria não faz isso) não porque não compensa como dizem os utilitaristas, mas sim porque é da natureza do homem evitar esse tipo de coisa. Mesmo nas mais bestiais tribos os criminosos sempre são a minoria. E esses criminosos refutam a existência da Lei Natural? Obviamente que não. C. S. Lewis deixou bem claro com relação à Lei Natural após responder a algumas objeções:

Parece, portanto, que só nos resta aceitar a existência de um certo e um errado. As pessoas podem volta e meia se enganar a respeito deles, da mesma forma que às vezes erram numa soma; mas a existência de ambos não depende de gostos pessoais ou de opiniões, da mesma forma que um cálculo errado não invalida a tabuada. Se concordamos com estas premissas, posso passar à seguinte: nenhum de nós realmente segue à risca a Lei Natural. [2]

Sim, ninguém segue à risca a Lei Natural, i.e., todos nós pecamos. Obviamente que para resolver isso precisamos de leis humanas para resolver os conflitos provocados pela desobediência da Lei Natural. E essas leis humanas não necessariamente devem derivar do estado. Leis humanas são meramente a adequação da Lei Natural à natureza humana. E pelo fato do homem evoluir, a lei humana – ao contrário da Lei Natural e a Lei Eterna – está em constante mudança. Poligamia, por exemplo, já foi socialmente aceito, assim como a pedofilia, mas isso não significa que isso já foi “certo”. Nem tudo que é socialmente aceito deve ser considerado certo. Ora, o fato de se já ter acreditado alguma vez que o sol é uma rocha incandescente não significa que ele realmente tenha sido isso no passado e hoje é uma estrela predominantemente composta de hidrogênio e hélio. A base das leis humanas é basicamente uma só: a propriedade privada.

Propriedade privada e as leis humanas
Libertários anticristãos torcem o nariz para a filosofia tomista por achar o Doutor Angélico um “estatista”. Santo Tomás não era estatista. Ele apenas fazia análises políticas dentro do contexto do seu tempo. Na época ele não tinha noção de uma sociedade sem estado. Mas as suas ideias podem muito bem ser aplicadas na teoria anarcocapitalista. Ora, segundo Santo Tomás para que serve a lei humana? Como ele mesmo responde:
[…] é necessário que sejam coibidos do mal pela força e pelo medo, para que ao menos assim, desistindo de fazer mal, e deixando a tranqüilidade aos outros, também eles próprios pelo costume sejam levados a fazer voluntariamente o que antes faziam por medo, e deste modo se tornem virtuosos. Ora, essa disciplina, que coíbe pelo temor da pena, é a disciplina das leis. Por onde é necessário, para a paz dos homens e para a virtude, que se estabeleçam leis (S. T. IaIIæ., q. 95, a. 1).

Ora, isso se aplica na nossa propriedade privada. Uma propriedade privada muito bem protegida, intimida um possível invasor. Principalmente se um dono for severo na hora de punir ou expulsar um invasor. As leis privadas não deixam de ser leis humanas e quase sempre baseadas na Lei Natural.

Quando escrevi o artigo “Lei, Justiça e Anarcocapitalismo” [3] foi justamente pensando em como uma sociedade sem estado se organizaria nessa parte. Se olhar como o Santo Tomás defende a ideia de que as leis devem intimidar os malfeitores numa sociedade com estado, vemos que essas leis teriam também a mesma função na forma privada. Afinal, o que os malfeitores fazem além de violar a propriedade privada alheia? O que é solucionar, prevenir e evitar conflitos se não justamente usando a força contra esses malfeitores?
Ademais, como concluímos que a moral objetiva existe defendendo uma sociedade com leis privadas, um exemplo de ordem social com uma organização aparentemente tão subjetivista? Podemos dizer que há um parâmetro para ver qual lugar no mundo é o melhor exemplo de uma sociedade justa. Da mesma forma que julgamos que a Audrey Hepburn era mais bonita nos anos 1950 do que a Preta Gil nos tempos de hoje, podemos reconhecer que há um parâmetro de perfeição na beleza inalcançável para qualquer mortal e que a atriz belga certamente esteve muito mais próxima desse parâmetro naquela época do que a “cantora” brasileira. 

Ora, o mesmo podemos dizer sobre as ordens sociais existentes. Ninguém nega que Zurique está muito mais próxima da sociedade ideal do que Havana ou Pyongyang (a menos que você seja um idiota e crer no contrário), mas eu posso afirmar de forma convicta que o anarcocapitalismo ofereceria uma ordem social mais justa e próspera do que qualquer uma existente e que essa ordem seria a que mais se adequaria aos ensinamentos que Jesus pregou no Sermão da Montanha (Evangelho Segundo São Mateus, capítulos 5, 6 e 7), uma vez que  é impossível existir uma forma de governo que chegue perto de seguir os mandamentos de Deus.

Descristianização leva ao estatismo e aos piores regimes
Pense nos regimes e governos mais despóticos, tirânicos e pobres de todos os tempos. Pense em quais lugares houveram os maiores genocídios e as piores guerras. Pense onde houveram e há os governos mais repressores na censura e onde mais há doutrinação nas escolas. Em nenhum deles verá um país com governo confessional cristão. Talvez se inclua uma ou outra “teocracia” islâmica, mas o foco é: são nos países onde há o tão pedido estado laico ou simplesmente onde cristãos foram perseguidos.
Ora, vejam a China maoísta, a União Soviética, Cuba dos irmãos Castro, a Kampuchea Democrática, o Vietnã de Ho Chi Minh, a Coreia do Norte, as teocracias islâmicas e principalmente a França pós-Revolução Francesa. [4]

Por que esses regimes eram tão totalitários, genocidas, repressores, tirânicos e despóticos? Ora, não existe bem ou mal para ninguém que nega a cristandade. Quanto mais governos! Alguns retrucaram que Rothbard e Hoppe não são religiosos e aceitam a ideia de uma moral objetiva (ainda que Rothbard não tenha sido um eticista exemplar como mostra o seu escrito sobre o direito das crianças [5]), mas nenhum deles é antirreligioso. [6]

Não podemos esquecer que esses governos laicos, i.e., anticristãos, são quase todos bem democráticos muito preocupados com a desigualdade social e direitos positivos. Mesmo que um governo confessional cuja base constitucional e legislativa seja cristã não consiga ser totalmente coerente com a doutrina, é em tese impossível ser como esses governos citados. Mesmo no período da chamada “Idade das Trevas”, o estado era minúsculo e o direito de propriedade era muito respeitado (muito mais do que hoje). Mas podemos ir mais longe: Hoppe descreve os feudos como “ordens sociais sem estado”, ainda que esses feudos sejam concessões reais, eles não podem ser definidos como estados porque a sua organização não se caracteriza como um. [7]

Ora, não se pode esquecer que depois que a perseguição aos cristãos parou na Europa, a Igreja Católica passou a construir a base da sociedade ocidental que conhecemos hoje. Hospitais, creches, universidades, escolas, orfanatos, etc, só começaram a proliferar graças ao trabalho de caridade da Igreja, [8] coisa que o estado laico não está interessado em fazer. A não ser que seja com uma arma apontada na testa de qualquer pessoa que ganhe seu dinheiro honestamente (bandidos podem até ir para cadeia, mas não sofrem com cobranças incessantes de impostos).


Libertarianismo ideológico vs. busca da verdade
Para concluir esse artigo resolvi escrever essa seção um tanto provocativa. Mas o tom provocativo é bem intencionado, uma vez que o autor é uma alma temente a Deus e muito bem intencionada.
Uma coisa que percebi é que os libertários idealistas são idênticos aos ateus numa coisa: ambos são o que são por razões subjetivas e/ou ideológicas. Jamais por razões metodológicas e/ou racionais. Por que o ateu é ateu? 

Nunca será por razões racionais e muito menos científicas. Eles sempre colocarão razões ideológicas e subjetivas para justificar o seu ateísmo. Lembro de uma amiga lésbica que dizia que “não tem por que acreditar em um deus que condena mulheres ao Inferno por gostar de chupar vaginas”. Obviamente é um motivo bem irracional para não acreditar em Deus, seria como se sentir reprimido por não poder beber veneno por dizerem que se beber, mata. A solução para se sentir mais liberto seria acreditar que tal veneno não mata.

Mas temos exemplos mais infantis. Estes são os libertários anticristãos. Uma ordem cancerígena de libertários que teria surgido com Max Stirner, um ateu, existencialista, niilista e egoísta atomístico. Inclusive já vi um dito libertário dizer que “a ética stirneriana [considerando que Stirner tenha uma] é superior a rothbardiana ou hoppeana”. Só nessa afirmação já vemos que o rapaz não vê a ética como uma verdade a ser alcançada. 

Ele escolhe uma proposta de um filósofo que escreve livretos para adolescentes ao mesmo estilo de Nietzsche [9] e diz que melhor como alguém que escolhe um filme independente para assistir no cinema. Meu amigo, a ética não é marca de video-game. A ética é um debate onde não devemos procurar um vencedor para elevar o nosso ego. A ética é uma busca pela verdade! Você acha mesmo que um existencialista e niilista com conhecimento infantil sobre a religião e ética vai acrescentar algo num debate tão importante? É no mínimo uma piada de muito mau gosto!
O mesmo vale para os randianos. Eles não buscam a verdade. Eles não admiram a Ayn Rand por ela buscar a verdade, mas por atrair ovelhas pelo discurso com suas frases de efeito replicadas por aí que foram garimpadas de seus textos prolixos. Ora, a filosofia é a busca pela verdade! Não pelos ideais que dão mais resultados! Por isso que os utilitaristas como ideólogos são tão desprezíveis.

A verdade não interessa a eles, mas resultados e o bem-estar. Por isso os libertários ideológicos e anticristãos também são tão desprezíveis. Eles não buscam a verdade, mas querem selecionar o que acaricia o seu ego enorme e ao mesmo tempo frágil. Eles conhecem gente de Max Stirner, Ayn Rand, David Friedman, Friedrich Nietzsche, Albert Camus, Voltaire e outros seres que só prestaram desserviço. Eles não conhecem Aristóteles, Platão, Sócrates, Santo Tomás de Aquino, Santo Agostinho de Hípona, Santo Anselmo de Cantuária, Santo Alberto Magno, Boécio, Eric Voegelin, Louis Lavelle, G. K. Chesterton, José Ortega y Gasset, Averrois, Avicena, Mário Ferreira dos Santos, etc.

Em suma: randianos, utilitaristas, antirreligiosos, left-lib, liberais, etc, procuram fugir da realidade porque uma filosofia verdadeiramente bem exercida com o seu verdadeiro fim (buscar a verdade) é demais para eles. Santo Tomás costumava dizer que “a verdade é adequação do intelecto à coisa[10] enquanto que Michel Foucault – um dos mais nocivos, desprezíveis e insignificantes filósofos da história – costumava dizer que “a verdade é nada mais é do que uma construção do discurso, mudando de acordo com as variações e ideológicas, em diversos momentos da história”. [11] 
Os “libertários” citados estão muito mais com Foucault do que com o Doutor Angélico. Muitos libertários acreditam na ideologia de gênero, por exemplo. Se dissermos que um transexual é um homem que se acha mulher ou vice-versa, eles se escandalizariam. Justamente porque para eles a verdade é a adequação da coisa ao intelecto e não ao contrário como propõe o Doutor Angélico. Ou seja, eles acreditam que são Deus. Eles definem a verdade com o pensamento.


Conclusão
Libertários que priorizam a ideologia e/ou são anticristãos não podem se dizer libertários porque rejeitam a busca da verdade. Se para eles a moral não é objetiva, eles não podem sequer demonstrar que o maoísmo ou nazismo é errado.

O libertário deve defender uma moral objetiva porque somente assim o estado pode ser provado como ilegítimo. Se a moral for subjetiva, não teria porque objetarmos contra impostos, intervenções, guerras, genocídios, etc. Como o Stirner poderia ser anarquista se ele era amoral e niilista? Stirner não pode ser contra o estado se ele era niilista. Ora, se a moral objetiva e os direitos naturais não existem, como se poderia provar que o estado é imoral? Não se pode provar a imoralidade de algo se isso depende da opinião.

Os utilitaristas acusam os defensores da moral objetiva (em geral os jusnaturalistas) de “defensores do monopólio da moral e da ética”. Ora, isso é como acusar o conhecedor da tabuada como monopolizador da mesma e afirmar que o resultado das multiplicação pode ser subjetiva. 

Conhecimento e a verdade não podem ser monopolizados. Imagine se você viaja de trem e alguém desperta ao seu lado e pergunta como o trem está parado e a paisagem andando. Você responde que na verdade o trem está andando e que ele está enganado, aí ele te acusa de querer ser o monopolizador do movimento porque aponta de forma intuitiva dizendo que o trem está parado porque ele pega um isqueiro do bolso e joga ao alto e cai na sua mão e diz que isso não aconteceria num trem em movimento. Esse cara que acordou no meio da viagem é o utilitarista.

Por isso muitos conservadores (erroneamente) acusam os libertários de serem braços auxiliares da esquerda. De fato a grossa maioria dos que se declaram libertários realmente são isso mesmo ou coisa pior. Tudo porque são relativizadores morais. Por isso é bom deixar claro: a ordem social libertária jamais virá de uma sociedade onde a maioria da população acredita que a moral é uma questão de opinião pessoal.

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Escolásticos – uma entrevista com Jesús Huerta de Soto

14:43:00
A entrevista a seguir foi concedida ao períodico Austrian Economics Newsletter, do Mises Institute.


 O senhor faz uma espécie de revisionismo histórico ao descrever a Espanha como sendo o local de nascimento da Escola Austríaca de Economia.
 Sim, mas é acurado.  Concentrar-se somente em Viena é uma postura muito tacanha.  Há essa tendência de crer, como todos os modernistas, que somente o novo tem valor e que estudar o velho seria mera arqueologia.  Porém, na economia e na filosofia, é exatamente o contrário.  A maioria das grandes e boas ideias já havia sido concebida por alguma grande mente no passado, inclusive as mais fundamentais ideias austríacas.
Uma das principais contribuições de Murray Rothbard foi mostrar que a pré-história da Escola Austríaca pode ser encontrada nas obras dos escolásticos espanhóis durante o “Siglo de Oro Español“, que foi desde o reinado de Carlos V no século XVI até o barroco do século XVII.

Nos anos 1950, Friedrich Hayek conheceu o grande intelectual italiano Bruno Leoni, autor de Liberdade e Legislação, e Leoni convenceu Hayek de que as origens intelectuais do liberalismo clássico deveriam ser buscadas na Europa Mediterrânea e não na Escócia.  No livro de Leoni, há uma citação de Cícero na qual Cato diz que o direito romano é o conjunto de regras jurídicas mais perfeito de todos porque ele não foi criado por uma só mente.  Ele não foi construído do nada.  Ele é resultado de um processo para o qual várias mentes contribuíram com sua sabedoria.  Advogados e juízes não fazem as leis; eles as descobrem e podem apenas aperfeiçoá-las muito lentamente.

Tenho uma carta de Hayek, datada de 7 de janeiro de 1979, na qual ele diz que os princípios básicos da teoria da concorrência de mercado já haviam sido delineados pelos escolásticos espanhóis do século XVI, e que o liberalismo econômico não havia sido criado pelos calvinistas, mas sim pelos jesuítas espanhóis.

AEN: Quem eram estes predecessores espanhóis da Escola Austríaca?

de Soto: A maioria deles lecionava teologia e ética na Universidade de Salamanca, uma cidade medieval localizada a 240 quilômetros a noroeste de Madri, perto da fronteira com Portugal.  Eles eram majoritariamente dominicanos ou jesuítas, e sua visão econômica é extremamente semelhante àquela que viria a ser enfatizada por Carl Menger mais de 300 anos depois.

Um de meus favoritos é Diego de Covarrubias y Leyva, que apresentou a teoria do valor subjetivo.  Ele escreveu que “o valor de um bem não depende de sua natureza essencial, mas sim da estimação subjetiva dos homens, mesmo que tal estimação seja insensata.”  Ele nasceu em 1512, foi bispo de Segovia e foi ministro do rei Filipe II de Espanha.  Hoje, no museu do pintor espanhol El Greco, na cidade de Toledo, há uma impressionante imagem pintada dele (foto à esquerda).  Carl Menger menciona o tratado sobre depreciação monetária escrito por Covarrubias em 1650.

Outro importante salamanquense foi Luis Saravia de la Calle, o primeiro pensador a demonstrar que são os preços que determinam os custos de produção, e não o contrário.  Ele escreveu que “aqueles que mensuram o preço justo pelo trabalho, pelos custos e pelos riscos incorridos pela pessoa que lidam com o mercado estão cometendo um grande erro.  O preço justo não é encontrado pela contagem dos custos, mas sim pela estimação comum de todos”.  Ele foi também um ardoroso crítico do sistema bancário de reservas fracionárias, argumentando que receber juros era incompatível com a natureza de um depósito à vista (em conta-corrente), e que o correto seria o pagamento de taxas para que o ouro permanecesse armazenado nos bancos.

Os salamanquenses se dispuseram a estudar o sistema bancário porque perceberam a relação corrupta e promíscua entre os bancos e o governo, relação essa que dependia fundamentalmente de uma proteção legal concedida à prática das reservas fracionárias.  Os salamanquenses se opunham a todas as formas de inflação.  Por exemplo, havia Martín Azpilcueta Navarro.  Ele nasceu em 1493, viveu 94 anos, e é especialmente famoso por ter explicado a teoria quantitativa da moeda em seu livro de 1556, Comentario resolutorio de cambios (eu tenho a primeira edição!), escrevendo que “a moeda vale mais onde e quando ela está em falta do que onde e quando ela está em abundância.”

Navarro era contrário à prática de reservas fracionárias e fez uma clara distinção entre a atividade bancária voltada para empréstimos e a atividade bancária voltada para depósitos.  O banqueiro, disse ele, deveria ser o “guardião, administrador, fiador” do dinheiro em sua posse.  Ele disse que não pode haver um contrato válido entre um depositante e um banqueiro que permita a prática de reservas fracionárias.  Se tal contrato fosse feito, ambos os lados seriam culpados de fraude.

Mais favorável à prática de reservas fracionárias era Luis de Molina, que foi o primeiro a argumentar que depósitos bancários deveriam ser considerados como parte da oferta monetária.  Porém, ele confundiu depósitos com empréstimos, e não entendeu como as reservas fracionárias são inerentemente desestabilizadoras.  Portanto, Navarro e de la Calle foram os antecessores da Escola Monetária Britânica, extremamente receosos de qualquer atividade bancária que mantivesse menos de 100% de reservas para depósitos à vista, ao passo que Molina e Juan de Lugo foram os precursores da Escola Bancária Britânica, mais tolerantes às reservas fracionárias.

AEN: Além das questões bancárias, a posição política dos salamanquenses eram pró-mercado?

de Soto: Eles tendiam a defender posições libertárias de maneira geral.  Por exemplo, Francisco de Victoria é amplamente visto como o fundador do direito internacional.  Ele reviveu a ideia de que o direito natural é moralmente superior ao poder do estado.  Depois, Juan de Mariana condenou toda e qualquer desvalorização da moeda como sendo uma completa e absoluta usurpação, e sugeriu que qualquer cidadão poderia assassinar um governante que impusesse tributos sem o consentimento das pessoas.  O único quesito em que Mariana errou foi em sua condenação das touradas, mas como sou neto de um famoso toureiro, não sou imparcial.

AEN: O elo espanhol-austríaco vai além de um mero acidente histórico?

de Soto: Lembre-se de que, no século XVI, o Imperador Carlos V, Rei da Espanha— também conhecido como Carlos de Habsburgo — enviou seu irmão Fernando I para ser o Rei da “Áustria”, palavra que etimologicamente significa “Parte Oriental do Império”, ou Österreich.  Esse reino abrangia a maior parte do continente europeu.  A única exceção era a França, então uma ilha isolada e cercada por forças espanholas.

As relações econômicas, políticas e culturais entre a Áustria e a Espanha continuaram por vários séculos.  Carl Menger redescobriu e abraçou essa tradição continental católica do pensamento escolástico espanhol, que na época já estava quase que completamente esquecida.

AEN: Bem, então o que aconteceu com essa tradição, dado que ela teve de ser redescoberta?

de Soto: Adam Smith e seus seguidores vieram a dominar o pensamento econômico espanhol, pondo fim ao desenvolvimento da escola subjetivista, a qual não apenas defendia o livre mercado de forma consistente, como também dominava toda a sua teoria.  A tradição foi mantida viva na França com os escritos de Richard Cantillon, A.J. Turgot e Jean-Baptiste Say, e algum conhecimento conseguiu penetrar a Inglaterra por meio dos escritos de teóricos protestantes do direito natural, como Samuel Pufendorf e Hugo Grócio.  Porém, na Espanha, vivenciamos os anos de decadência dos séculos XVIII e XIX, com o fim dos Habsburgos e início dos Bourbons da França.

O estatismo de Filipe IV de Espanha o levou a tentar organizar um vasto império centralizado em Madri, um projeto inerentemente inviável.  Os escolásticos foram contra esse estatismo, é claro, mas foram sumariamente desconsiderados e sua tradição foi perdida.  Havia também o problema de que eles escreviam em latim, o que gerou uma barreira linguística.  Adicionalmente, os britânicos criaram e difundiram a Lenda Negra, que durante os dois séculos seguintes denegriu tudo o que era católico e espanhol.  Ironicamente, a Reforma Protestante na realidade atrasou a causa da economia de livre mercado.  A Igreja há muito tempo vinha desempenhando o papel vital de contrabalançar o poder do estado.  Com o declínio da Igreja em decorrência da Reforma, a sabedoria de seus mais brilhantes teóricos econômicos foi perdida, e o poder do estado e a influência de seus apologistas cresceram.

AEN: Por que foi necessário um austríaco para redescobrir a tradição econômica espanhola?

de Soto: Os livros dos escolásticos foram publicados em Bruxelas e na Itália, e foram enviados à Espanha e a Viena.  Foi assim, portanto, que chegaram à Áustria.  Havia também uma tradição de pensamento escolástico na Áustria, a qual, afinal, é 90% católica.

No entanto, foi um escritor católico espanhol quem solucionou o “paradoxo do valor”, 27 anos antes de Carl Menger.  Seu nome era Jaime Balmes.  Ele nasceu na Catalunha em 1810 e morreu em 1848.  Durante sua curta vida, ele se tornou o mais importante filósofo tomista da Espanha.  Em 1844, ele publicou um artigo chamado “A Verdadeira Ideia do Valor; ou Pensamentos Sobre a Origem, a Natureza e a Variedade dos Preços”.

Balmes perguntava por que uma pedra preciosa valia mais que um pedaço de pão?  E ele próprio respondeu que o valor de um bem está em sua utilidade, de modo que “há uma necessária relação entre a escassez ou abundância de um bem e o aumento ou a redução de seu valor.”

AEN: Falemos sobre questões um pouco mais atuais.  O senhor produziu um plano para reformar o sistema previdenciário espanhol.

de Soto: Essa questão de pensões garantidas para todos os idosos é um problema premente em todos os países ocidentais, mas que só será sentido daqui a algumas décadas, quando então não haverá mais solução.  Em todos os países, as obrigações assumidas pela Previdência são enormes, mas a demografia se encarregou de fazer com que elas se tornassem essencialmente impagáveis, a menos que os impostos sejam elevados a níveis intoleráveis.  Antes de saber o que deve ser feito com estes sistemas, é necessário entender suas inerentes contradições.

Primeiro, os sistemas previdenciários alegam ser esquemas de poupança de dinheiro, mas a realidade é que elesdesestimulam a poupança.  Além de as “contribuições compulsórias” incidirem justamente sobre o que seria a poupança dos indivíduos, a previdência leva as pessoas a crerem que elas não precisam ser precavidas quanto ao futuro, pois o estado cuidará delas.  Consequentemente, as pessoas passam a crer que é desnecessário poupar.  É empiricamente comprovável que a expansão da seguridade social coincidiu com um enorme declínio na poupança das pessoas.  Claro.  Poupança é sacrifício.  Por que poupar se meu futuro “está garantido pelo estado”?  Esta queda na poupança tende a elevar os juros e a consequentemente reduzir os níveis de investimento de várias maneiras impossíveis de ser mensuradas.

Segundo, não importa o que a lei diz sobre como empregados e empregadores compartilham o fardo da contribuição previdenciária.  Do ponto de vista econômico, o trabalhador paga todo o imposto.  Mises foi o primeiro a desenvolver esta constatação em seu livro Socialism, no qual ele disse que contribuições para a seguridade social sempre se dão em detrimento dos salários.

Terceiro, o sistema é baseado em uma generalizada e indiscriminada agressão institucional contra os cidadãos.  Logo, trata-se de um ataque direto à liberdade.  E isso, por sua vez, inibe o desenvolvimento criativo da descoberta empreendedorial.  Novas modalidades financeiras de poupança e o uso eficiente da propriedade são tolhidos.  A resultante malversação de capital e mão-de-obra é incalculavelmente alta.

Quarto, o sistema não pode funcionar como seguro e assistencialismo ao mesmo tempo, porque ambos os conceitos são incompatíveis.  Um seguro é baseado no princípio de que os benefícios se dão de acordo com as contribuições.  Já o assistencialismo é baseado na necessidade.  Se os retornos passam a ser declinantes, que é o que ocorrerá, o elemento “seguridade” do sistema passa a abortar o elemento “assistencialista”.  E vice-versa.

E por que nós temos esses sistemas?  Porque burocratas acreditam que algumas pessoas supostamente não são capazes de cuidar de si próprias.  Mas isso é o mesmo que dizer que, dado que um pequeno número de pessoas não consegue se alimentar, todos os indivíduos de uma população devem ser forçados a comer em cantinas estatais.

O segredo para qualquer reforma previdenciária é que cada indivíduo deve ser o responsável por sua poupança.  O indivíduo não pode ser forçado a participar de um programa compulsório.  Aqueles que querem sair do sistema previdenciário devem ter a liberdade para fazê-lo.  Não pagarão contribuições e também não ganharão nenhum benefício estatal.  Esse deve ser o objetivo de longo prazo, e é de se esperar que a maioria das pessoas faria essa opção.  No meu plano, nosso período de transição permite uma redução de 50% na taxa de contribuição atual em troca de se abrir mão de todas as reivindicações futuras.  Adicionalmente, nenhum imposto jamais deve ser aumentado para pagar por esse período de transição.  O sistema previdenciário já está falido e é urgente tratar desse assunto; adiar a solução irá apenas intensificar a tragédia quando esta inevitavelmente chegar.

AEN: A educação estatal pode ser benéfica?  Há vantagens em se ter um sistema de ensino comandado pelo estado?

de Soto: O estado opera à margem do mercado, sem jamais ser guiado pelo sistema de lucros e prejuízos.  E quando você não leva em conta o sistema de lucros e prejuízos, é absolutamente impossível saber se o seu trabalho está sendo bem feito.

Quando a educação é financiada e controlada pelo estado, você tende a criar — para utilizar um linguajar econômico — um ‘investimento errôneo’ ou um ‘investimento intelectual mal feito’.  A teoria do “capital humano”, do economista Gary Becker, insinua que quanto mais se investe em educação e quanto mais a criança aprende na escola, mais valorosa ela se torna para a sociedade.  A conclusão óbvia é que o governo deveria pagar pela escolarização e educação de todos para tornar a sociedade mais rica.

Discordo totalmente de Becker.  Como o dinheiro envolvido é o dinheiro de impostos, não há como calcular em termos econômicos se a educação feita desta forma é um bom investimento ou não.  Muito provavelmente não é.  As pessoas gastam anos estudando coisas que não terão utilidade nenhuma para elas.  Isso é um inacreditável desperdício de talento e de recursos.  Mas é exatamente isso o que ocorre quando se dá ao governo o controle das coisas, principalmente do currículo escolar.

A teoria neoclássica costuma tratar o capital em termos generalistas.  Nela, não há um investimento bom e um investimento ruim de capital; é tudo apenas capital e tudo é homogêneo.  Ocorre que, em vários casos, um investimento errôneo em capital intelectual pode acabar trazendo consequências muito mais nefastas para a sociedade do que uma simples malversação de recursos escassos que foram investidos erroneamente em um projeto que se revelou insustentável.

AEN: O senhor vê alguma contradição no meio liberal entre ideias teóricas radicais e propostas modestas de reforma?

de Soto: O maior perigo para a estratégia libertária é cair na armadilha do pragmatismo político.  É fácil se esquecer dos objetivos supremos em decorrência da suposta impossibilidade política de se alcançá-los no curto prazo.  Consequentemente, nossos programas e objetivos se tornam obscuros e nossos intelectuais são cooptados pelo governo.

A maneira correta de impedir que isso aconteça é adotando uma estratégia dupla.  Por um lado, temos de ser abertos e honestos a respeito dos nossos objetivos, e temos de nos esforçar para educar o público, explicando por que nosso objetivo final é o melhor para a sociedade.  Por outro, devemos apoiar toda e qualquer política de curto prazo que nos leve para mais perto dos nossos objetivos.  Desta forma, quando nossos objetivos de curto prazo forem alcançados, não haverá como retroceder.  Poderemos seguir adiante com a total convicção de que as pessoas compreenderão que é necessário continuar fazendo sempre mais.

AEN: O senhor conheceu a Escola Austríaca aos 16 anos descobrindo acidentalmente em uma biblioteca o livro Ação Humana, de Ludwig von Mises.  Parece surpreendente que a ciência econômica já fosse tão intensamente atraente para o senhor em uma idade tão prematura.

de Soto: Minha família é do ramo do seguro de vida, que aliás é o único traço em comum que tenho com John Maynard Keynes, que, na década de 1930, foi o presidente da National Mutual Life Assurance Society de Londres.  O ramo do seguro de vida é um negócio bastante tradicional, tendo evoluído ao longo de 200 anos sem praticamente nenhuma intervenção estatal.  Trabalhando com meu pai, tornei-me naturalmente interessado em teoria monetária, finanças e instituições econômicas.  Queria ser um atuário.  Eu era muito bom em matemática.

Porém, ainda jovem comecei a me dar conta de que aquilo que funciona para as ciências atuariais, que lida com probabilidades de vida e morte, não pode funcionar na ciência econômica, porque não há constantes na ação humana.  Há criatividade, mudanças, escolhas e descobertas, mas não há parâmetros fixos que permitam a criação de funções matemáticas.

Curvas de oferta e demanda não podem refletir a realidade porque as informações necessárias para construí-las só podem ser obtidas ao longo do tempo por meio do processo empreendedorial.  Essas informações jamais aparecem ao mesmo tempo, como a matemática requer que pressuponhamos.

AEN: Keynes aparentemente não chegou a essas mesmas lições a respeito da ação humana ao trabalhar no ramo de seguros.

de Soto: O problema é que Keynes não corrompeu apenas a ciência econômica.  Ele corrompeu também as práticas do ramo atuarial.  Ele rompeu com as políticas tradicionais de sua empresa e começou a valorar seus ativos ao seu valor atual de mercado em vez de utilizar o conservador método do valor histórico.  Quando você avalia ativos de acordo com seu valor atual de mercado, o valor deles fica ao sabor dos ciclos econômicos.  Se a economia estiver vivenciando uma fase de crescimento em decorrência da expansão artificial do crédito, seus ativos passam a valer mais.  Consequentemente, você passa a fazer investimentos mais ousados e errôneos.  Quando vem a recessão, o valor de seus ativos volta a cair, mas seus passivos permanecem inalterados ou podem até mesmo subir.  Resultado: você reduziu o capital de sua empresa, podendo até mesmo tê-la levado à falência.

Quando Keynes começou a fazer isso, ele imediatamente ganhou uma enorme vantagem competitiva sobre seus concorrentes.  Ele passou a poder distribuir dividendos para seus clientes sem que houvesse obtido nenhum ganho de capital.  Enquanto a bolsa de valores estava subindo, tudo era uma maravilha.  Porém, quando a Grande Depressão chegou, sua empresa quase foi à falência por causa desta sua inovação.

A atual crise imobiliária e financeira decorre diretamente dessa corrupção nos métodos de contabilidade das empresas e dos bancos.

AEN: O senhor deu ao Mises Institute uma foto do Rei Juan Carlos segurando um livro de Mises.  Ele é um misesiano?

de Soto: Não diria isso, mas ele gosta do livre mercado e entende que temos opiniões radicais a respeito.  Todos os anos, nós o convidamos para uma feira que comemora o lançamento de novos livros liberais, e ele é gentil o bastante para comparecer.  Dado que ele não estudou na Universidade de Chicago, ele é mais pró-austríaco do que seria de se esperar.  Nunca se sabe quais indivíduos ou grupos serão atraídos pela Escola Austríaca.

AEN: Por exemplo, a influência dos austríacos por meio dos salamanquenses sobre a moderna Igreja Católica.

de Soto: A Igreja Católica é como um enorme transatlântico.  Se você vira o timão para a direita, a embarcação começa a se mover muito lentamente, mas chega uma hora em que ela finalmente começa a mudar de direção.

Há um poderoso grupo católico na Espanha chamado Opus Dei.  Eles são muito próximos do Papa e são extremamente pró-mercado.  Alguém dentro da ordem leu as obras de Hayek, viu que ele era extremamente pró-mercado e enviou a mensagem para toda a organização: o Opus Dei tem de apoiar os austríacos.

Repentinamente, todos os meus livros estavam sendo lidos por todos os membros da ordem, e eu comecei a ministrar palestras para seus prelados e numerários. Recentemente, li uma tese de Ph.D sobre Mises e Hayek escrita por um membro proeminente do Opus Dei.

As opiniões da Igreja sobre questões econômicas devem ser ouvidas, mas não impactam em questões relativas à fé.  A propósito, na parede do meu escritório, tenho uma bela foto de Hayek com João Paulo II.

AEN: O senhor acha que economistas deveriam levar a religião mais a sério do que costumam levar?

de Soto: Sem dúvida.  A religião tem um papel importante na vida de uma economia.  A religião transmite de geração para geração certos padrões de comportamento e de tradições morais que são essenciais para que haja respeito às normas, separação dos poderes e respeito aos direitos naturais de cada indivíduo.  Sem isso, uma sólida economia de mercado é impossível.  Se os contratos deixam de ser respeitados, a sociedade se desintegra.  A religião, e não o estado, é o meio essencial de se transmitir às pessoas um senso de obrigações morais, como a de que devemos manter nossas promessas e respeitar a propriedade de terceiros.

AEN: Algum economista já foi declarado santo?

de Soto: Dois escolásticos.  São Bernardino de Siena e seu grande pupilo, Santo Antonino de Florença.  Rezemos para que não sejam os últimos.


Não deixe de ler os espetaculares artigos de Jesús Huerta de Soto aqui.



Sobre o Autor: Jesús Huerta de Soto
Jesús Huerta de Soto professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.

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Club Anarcocapitalista de Cuba

15:07:00
Joisy García Martínez, blogueiro, jornalista independente e membro do Club Anarcocapitalista de Cuba (CAC)
Lic. Nelson Rodríguez Chartrand, advogado, jornalista e membro do Club Anarcocapitalista de Cuba (CAC)

[Este artigo é um resumo de uma conferência do Club Anarcocapitalista de Cuba]

Desde o surgimento da sociedade humana, foi constante até os nossos dias a busca de modelos de convívio em que coexistam a liberdade, a justiça, a segurança pessoal, a satisfação das necessidades materiais e espirituais, o respeito e, em última instância, o êxito do maior desejo humano, que não é outro senão a busca pela felicidade.

Infelizmente isto ainda não se alcança, existindo hoje falta de liberdades, miséria, corrupção, degeneração moral e muitos outros males que agem em detrimento da prosperidade e a felicidade humana.
Como esperado, tantas frustrações geraram sentimentos de desesperança na sociedade humana, assumindo uma posição cética e de incerteza, sem contar com um modelo capaz de satisfazer eficientemente suas expectativas.
E é este precisamente o objetivo desta pequena conferência, irradiar uma luz de esperança, sugerindo-lhes o anarcocapitalismo, que como o professor Jesús Huerta de Soto definiu com excelência “é o único sistema de cooperação social plenamente compatível com a natureza do ser humano”.


Uma vez claro isto, comecemos:

O termo anarcocapitalismo surge em meados do século passado, sendo seu criador, o economista, historiador e teórico político da Escola Austríaca de Economia, Murray Rothbard.

Agora bem, antes de começar a conhecer o que é o anarcocapitalismo, será conveniente, ao menos, repassar os seguintes termos:

Anarquismo: O anarquismo é filosofia política e social que em o fundamento advoga a abolição do estado entendido como governo, opondo-se a toda autoridade, hierarquia e controle social, sendo o seu eixo central de atenção, o indivíduo.

Libertarianismo: O libertarianismo é uma filosofia política que defende a vigência suprema da liberdade individual, é dizer, o direito do indivíduo sobre si mesmo, sendo seu único limite o direito alheio.

Propriedade privada: A propriedade privada não é outra coisa senão os direitos das pessoas e empresas de possuir bens de qualquer natureza e dispor livremente deles, diferenciando-se da propriedade pública em que os bens são propriedade do estado ou não de indivíduos ou entidades empresariais.

Livre mercado: O livre mercado é um sistema na qual o preço dos bens ou serviços é acordado entre os vendedores e consumidores, mediante a leis da oferta e demanda, requerendo a ele, ausência de qualquer coerção ou fraude, e sim, sobre todas as coisas a manifestação livre da vontade das partes.

Liberdade negativa: Liberdade negativa é aquela que se define pela ausência de coerção externa ao indivíduo que interfira sua livre projeção.

Autopropriedade: A propriedade sobre si mesmo, ou como também se pode chamar-lhe soberania individual ou autopropriedade, é o princípio em virtude da qual o indivíduo é proprietário de sua própria pessoa e da qual se desprende o direito à propriedade privada.

Pois bem, uma vez vistas as definições anteriores, passemos a conhecer o que é o anarcocapitalismo.

O anarcocapitalismo — conhecido também como anarquismo de mercado, anarquismo libertário ou anarquismo de propriedade privada — é, em essência, uma filosofia política que promove, por uma parte, a eliminação do estado e por outra o auto-governo do indivíduo através de um sistema de propriedade privada e livre mercado.

No âmbito econômico defende o capitalismo de livre mercado sem interferência estatal alguma como a forma mais justa e eficaz possível de conceber a organização de todos os serviços. Desde o ponto de vista jurídico, o anarcocapitalismo promove o contrato voluntário sob o sistema da lei policêntrica (privada), como o mecanismo usado para solucionar os conflitos, mediante jurisdições de justiça e proteção competitivas entre si.

Do ponto de vista ético-filosófico, se sustenta sobre a base da ideia da propriedade de um mesmo, o direito à propriedade privada sobre si mesmo e de seus bens, e o princípio da não-agressão, que significa a proibição da coação e a fraude contra pessoas e suas propriedades.
É importante destacar que todavia o anarcocapitalismo tem como finalidade ao máximo a liberdade e a prosperidade individual, também reconhecer a solidariedade e acordos comunais como parte da mesma ética voluntária. Para o anarcocapitalista as únicas formas justas de adquirir uma propriedade são através de trocas voluntárias, doações ou apropriação original baseada no trabalho.

Princípios básicos do anarcocapitalismo
O anarcocapitalismo se baseia sobre a base dos seguintes princípios:

A não-agressão

O princípio da não-agressão é um princípio ético-jurídico da qual sustenta que todo indivíduo tem o direito de fazer o que deseje, desde que sua ação não constitua violência e nem ameaça de violência contra demais pessoas ou suas propriedades. É um princípio que identifica a propriedade como parte inseparável do proprietário, porque agredir a propriedade equivale a agredir a pessoa do proprietário.

Livre empreendimento vs. Estado

Para o anarcocapitalismo, o princípio da não-agressão encontra a sua materialização no livre empreendimento e na não aceitação do estado. Apoia a ideia de que o poder do estado é fonte de corrupção, privilégio e agressão.

O anarquista capitalista argumenta que o empreendimento é resultado de contratos individuais e portanto uma forma legítima e eficiente de organizar as pessoas com a liberdade de escolher um concorrente ou de entrar na concorrência como uma forma universal de preservar e promover a qualidade dos serviços. Os anarcocapitalistas veem a livre concorrência como base de uma sociedade livre, e o definem como uma troca voluntária e pacífica.

Os anarcocapitalistas argumentam que sem a intervenção estatal as grandes corporações empresariais se reduziriam ou ao menos seriam substituíveis a qualquer momento devido à livre concorrência. É dizer que se existe uma empresa líder para determinado bem ou serviço, se supõe que deverá ser porque os consumidores assim haviam decidido, ou porque o provedor tem sob sua propriedade privada o controle dos recursos e nunca porque esta situação foi alcançada coativamente, ou por imposições legais ou por meio de ameaças ou violência física.

Propriedade privada, autopropriedade e apropriação original

Para os anarcocapitalistas, a autopropriedade é o direito natural de cada indivíduo à propriedade sobre seu próprio corpo, enquanto que o princípio de apropriação original estabelece que cada um é proprietário legítimo de todos aqueles recursos sem proprietário prévio sobre os quais tenha realizado algum tipo de trabalho.

Cada pessoa é dona de seu próprio corpo físico, assim como de todos os lugares e bens naturais que ocupe e que ponha em uso por meio de seu corpo com a única condição de que ninguém mais tenha ocupado os mesmos lugares ou usado os mesmos bens previamente. Neste sentido a propriedade sobre lugares e/ou bens apropriados originalmente por uma pessoa implica seu direito de usar estes lugares e bens de qualquer maneira que lhe convém, com a condição que, como consequência, não mude a integridade física de lugares ou bens originalmente apropriados por outra pessoa.

Ou seja, quando um bem é apropriado uma primeira vez, é investido no tempo de trabalho, a propriedade sobre este bem só pode ser adquirida por meio de uma transferência voluntária de tipo contratual.

Propriedade comum

Independentemente do que os anarcocapitalistas defendem a todo custo o direito à propriedade privada, isso não exclui a coexistência de propriedades coletivas não estatais.

Assim como uma pessoa obtém a titularidade de um bem sem proprietário, pela mistura do seu trabalho com ele ou por usá-lo regularmente, várias pessoas também podem chegar a ser proprietárias de uma coisa em comum mediante o seu trabalho em conjunto com ela, no sentido de que nenhuma delas pode se apropriar dela como própria. Isto pode se aplicar a estradas, parques, rios, etc.

Meio ambiente

É uma realidade universal que os governos disponham da mídia para advogar por ações ou censura dos contaminadores do meio-ambiente com o fim de beneficiar a maioria. No entanto, paradoxalmente, as corporações altamente contaminantes recebem subvenções governamentais sob o argumento da criação de empregos ou dos estímulos à investimento privado.
Para o anarcocapitalismo, a contaminação do ar, água e terra é vista como resultado da coletivização estatal da propriedade. Os bens naturais quando são públicos não são renovados por ninguém e ninguém se responsabiliza por eles.

Armas

O anarcocapitalismo se opõe a toda coação, pelo qual, defende a livre posse de armas, embora a propriedade privada permite que seus legítimos proprietários decidam se pode entrar com armas ou não em seu território.

Lei e ordem

Na teoria anarquista libertária a lei e a ordem de uma sociedade voluntária podem ser providas por um mercado competitivo de instituições privadas que oferecem segurança, justiça e outros serviços de defesa. Um mercado onde existem provedores da segurança e a lei, que disputam clientes de pagamento voluntário que desejam receber os serviços em vez de indivíduos onerados sem o seu consentimento aos que usam um provedor monopolítico de força. A crença, entre os anarquistas de livre mercado, é que esta concorrência tende a produzir serviços legais e policiais mais baratos e de melhor qualidade.

Até aqui, podemos resumir que o anarcocapitalismo é um sistema político e social onde a ausência absoluta do estado, a propriedade privada e o livre mercado constituem o centro do funcionamento dinâmico de toda a engrenagem da sociedade, incluindo a ordem pública, o Direito e a justiça, tendo como fim último a prosperidade, o respeito e a defesa absoluta da liberdade do indivíduo.

Por que o anarcocapitalismo é viável?

Segundo as palavras do professor Jesús Huerta de Soto, o único sistema de cooperação social plenamente compatível com a natureza do ser humano é o anarcocapitalismo.

Isto se fundamenta no fato de que o anarcocapitalismo representa a mais pura manifestação da ordem espontânea do mercado, pois todos os serviços — incluindo a definição de direito, justiça e a ordem pública, são proporcionados através de um processo exclusivamente voluntário de cooperação social, pelo qual a criatividade humana alcança a sua maior plenitude, assim como a relação harmoniosa e dinâmica das empresas; potencializando-se desta maneira, a eficiência e a justiça na solução dos problemas que possam surgir em determinadas relações; eliminando-se pela raiz todos os conflitos, ineficiências e desajustes que geram o monopólio estatal pelo mero fato de existir; eliminando os incentivos corruptores do ser humano que são gerados pelo estado.

Na sociedade anarcocapitalista ninguém teria o direito de exercer monopoliticamente nenhuma coação sistemática, pelo que estaria garantida como em nenhum outro sistema conhecido até hoje, a natureza criativa do ser humano.

O progressivo desaparecimento dos estados e sua paulatina substituição por uma rede dinâmica de agências privadas, por uma lado patrocinadoras de diferentes sistemas jurídicos e, por outro, prestadoras de todo tipo de segurança, prevenção e defesa constitui o conteúdo mais importante da agenda política e científica assim como a mudança social mais transcendental que poderia se verificar no Século XXI.
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O sentimento anti-religião NÃO pertence ao ANARCOCAPITALISMO.

14:17:00


A relação entre libertarianismo e religião é longa, antiga e tormentosa.
É inegável que Ayn Rand teve uma duradoura, forte e profunda relação com o libertarianismo.  Embora ela nos rejeitasse e nos tratasse como “hippies da direita”, muitos de nós ainda somos fascinados com ela, inspirados por ela e em dívida para com ela por ter nos apresentado a defesa moral da livre iniciativa.  

Eu certamente me incluo nessa categoria.
Uma das mais fortes influências que ela teve sobre o movimento libertário foi o seu ateísmo beligerante.  Para muitos seguidores da filosofia da liberdade, uma agressiva rejeição a Deus e a todas as coisas religiosas pode perfeitamente ser vista como um axioma básico dessa visão de mundo.  
 

Confesso que essa também foi a minha posição nesse assunto durante muitos anos.  Essa era também a posição de um rico e potencial doador do Mises Institute, o qual teria contribuído fartamente caso o Instituto mudasse sua visão em relação a esse assunto e passasse a adotar uma postura agressivamente contrária a todas as religiões.  

Felizmente, Lew Rockwell se recusou a desvirtuar a missão de seu Instituto em relação a esse quesito, e ficou sem a doação.  Embora seja ele próprio um católico devoto, Rockwell se manteve fiel aos seus princípios: o Mises Institute continuaria envolvido nos estudos da ciência econômica e da liberdade, e nada teria contra qualquer religião em absoluto.

O que fez com que eu mudasse minha postura?  Por que continuo hoje sendo tão ateu quanto sempre fui, porém, ao mesmo tempo, um amigo e defensor da religião?  Nada tem a ver com o fato de que, dos últimos 19 anos, passei 15 deles sendo empregado por instituições jesuítas católicas. 

Fui professor do College of the Holy Cross de 1991 a 1997 e, desde 2001, sou professor da Universidade Loyola em Nova Orleans.
Para alguns — aqueles ainda encantados com a visão randiana acerca de religião e liberdade —, já é ruim o suficiente que um libertário tenha uma visão positiva sobre a religião.  
 

Para a maioria, pode parecer uma total contradição lógica um ateu como eu ser um grande defensor e até mesmo um admirador da religião.  Permita-me explicar tudo.
Nesse assunto em especial, sou guiado pelo aforismo “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.  Embora tal raciocínio nem sempre seja verdadeiro, nesse caso em específico creio que seja.

Assim, qual instituição é a maior inimiga da liberdade humana?  Só pode haver uma resposta: o estado em geral; e, em particular, a versão totalitária deste.  Talvez não haja melhor exemplo de tal governo do que a URSS e seus principais ditadores, Lênin e Stalin (embora a supremacia em termos de números absolutos de inocentes assassinados pertença à China de Mao).  

Podemos em seguida perguntar: quais instituições esses dois respeitáveis russos escolheram para o opróbrio?  Em primeiro lugar, a religião.  Em segundo lugar, a família.  Não foi nenhuma coincidência os soviéticos terem aprovado leis que premiavam os filhos que delatassem os pais por atividades anticomunistas. 

Certamente não há melhor maneira de destruir uma família do que por meio dessa política diabólica.  E como eles tratavam a religião?  Essa é uma pergunta meramente retórica: a religião foi transformada no inimigo público número um, e seus praticantes foram cruelmente caçados e exterminados.
 

Por que escolheram a religião e a família?  Porque ambas são as principais concorrentes do estado na busca pela lealdada e obediência das pessoas.  Os comunistas estavam totalmente corretos — se formos nos basear em suas próprias perspectivas diabólicas — em centrar sua artilharia sobre essas duas instituições.  Todas as pessoas que são inimigas de um estado intrusivo, portanto, fariam bem em abraçar a religião e a família como seus principais amigos, sejam essas pessoas ateias ou não, pais ou não.

A principal razão por que a religião é um contínuo e eterno incômodo para os líderes seculares advém do fato de que essa instituição define a autoridade moral independentemente do poder dessa gente.  Todas as outras organizações da sociedade (com a possível exceção da família) veem o estado como a fonte suprema das sanções éticas.  Não obstante o fato de que alguns líderes religiosos de fato já se ajoelharam perante oficiais de governo, existe uma hostilidade natural e básica entre essas duas fontes de autoridade.  

O papa e outros líderes religiosos podem não ter nenhum regimento de soldados, mas eles têm algo que falta aos presidentes e primeiros-ministros, para grande desespero destes.
Eis aí minha posição.  Eu rejeito a religião, todas as religiões, pois, como ateu, não estou convencido da existência de Deus.  Aliás, vou mais fundo.  Sequer sou agnóstico: estou convencido da não-existência Dele.  Entretanto, como um animal político, eu entusiasticamente abraço essa instituição. 

Trata-se de um baluarte contra o totalitarismo.  Aquele que deseja se opor às depredações do estado não poderá fazê-lo sem o apoio da religião.  A oposição à religião, mesmo se baseada em fundamentos intelectuais e não almejada como uma posição política, ainda assim equivale a um apoio prático ao estado.
Mas e quanto ao fato de que a maioria das religiões, senão todas, apóia a existência do estado?  Não importa.  

Apesar de que algumas religiões organizadas podem frequentemente ser vistas como defensoras do estatismo, o fato é que esses dois ditadores, Lênin e Stalin, já haviam entendido tudo: não obstante o fato de pessoas religiosas frequentemente apoiarem o governo, essas duas instituições, estatismo e religião, são, no fundo, inimigas.  “Concordo” com Lênin e Stalin nesse quesito.  Estritamente do ponto de vista deles, ambos estavam totalmente corretos ao suprimirem brutalmente as práticas religiosas.  Isso faz com que seja ainda mais importante que todos nós libertários, ateus ou não, apoiemos aqueles que adoram a Deus.  O inimigo do meu inimigo é meu amigo.

Bem sei que, nesse ponto, muitos ateus irão energicamente protestar apontando para o fato de que inúmeras pessoas inocentes foram assassinadas em nome da religião.  É verdade.  Infelizmente, é muito verdade.  Entretanto, seria válido colocarmos um pouco de perspectiva nessa conjuntura.  

Quantas pessoas foram mortas por excessos religiosos, tais como a Inquisição?  Embora as estimativas variem amplamente, as melhores (ver aqui) dão conta de que o número de mortes ocorridas durante essa triste época, a qual durou vários séculos, está entre 3.000 e 10.000.  Alguns especialistas, aqui, garantem números ainda mais baixos, como 2.000.

É claro que estamos falando de seres humanos assassinados, e cada assassinato deve ser lamentado; porém, se considerarmos apenas as magnitudes relativas, podemos positivamente dizer que tais números são completamente insignificantes quando comparados à devastação infligida à raça humana pelos governos.  

De acordo com as melhores estimativas (ver aquiaquiaquiaquiaqui e aqui), as vítimas do estatismo apenas no século XX se aproximam do ultrajante marco de 200 milhões.  

Não, não houve erro tipográfico.  200 milhões de cadáveres produzidos diretamente pelo estado!  Querer comparar algumas milhares de mortes injustificáveis produzidas pela religião com várias centenas de milhões produzidas pelo estado é algo totalmente desarrazoado.  Sim, o assassinato de uma única pessoa é deplorável.  

Porém, se quisermos comparar religião e governo, devemos ter em mente essas diferenças astronômicas.
Eis uma lista de pessoas devotamente religiosas que eu conheço pessoalmente e que fizeram grandes contribuições para a causa da liberdade:

William Anderson, Peter Boettke, Art Carden, Stephen W. Carson, Alejandro Chafuen, Paul Cwik, Gary Galles, Jeff Herbener, Jörg Guido Hülsmann, Rabino Israel Kirzner, Robert Murphy, Gary North, Ron Paul, Shawn Rittenour, Lew Rockwell, Joann Rothbard, Hans Sennholz, Edward Stringham, Timothy Terrell, David Theroux, Jeff Tucker,Laurence Vance, Tom Woods, Steven Yates.

E não podemos também deixar de mencionar a Escola de Salamanca, povoada e divulgada, principalmente, por padres como estes: Dominicanos: Francisco de Vitoria, 1485—1546; Domingo de Soto, 1494—1560; Juan de Medina, 1490—1546; Martin de Azpilcueta (Navarrus), 1493—1586; Diego de Covarrubias y Leiva, 1512—1577; Tomas de Mercado, 1530—1576.  Jesuítas: Luis Molina (Molineus), 1535—1600; Cardeal Juan de Lugo, 1583—1660; Leonard de Leys (Lessius), 1554—1623; Juan de Mariana, 1536—1624.

Essa escola de pensamento é genuinamente nossa predecessora moral e intelectual.  Para a contribuição da Escola de Salamanca para o movimento austro-libertário, ver aqui, aqui, aqui.

Já é hora — aliás, já passou da hora — de o movimento austro-libertário rejeitar a virulenta oposição randiana à religião.  Sim, Ayn Rand fez grandes contribuições para os nossos esforços. 

Não precisamos agir precipitadamente; não precisamos jogar fora o bebê junto com a água da banheira.  Mas é certo que o sentimento anti-religião pertence a essa última atitude, e não à primeira.

As opiniões acima expressadas são consistentes com o ponto de vista do meu eterno mentor, Murray Rothbard.  Esse brilhante erudito, que frequentemente era chamado de “Senhor Libertário”, justamente por representar a epítome do libertarianismo, era uma pessoa extremamente favorável à religião, sendo especialmente pró-catolicismo.  Ele atribuía os conceitos do individualismo e da liberdade (bem como quase tudo de positivo que havia na civilização ocidental) ao cristianismo, e argumentava com veemência que, enquanto os libertários fizessem do ódio à religião um princípio básico de organização, eles não chegariam a lugar algum, dado que a vasta maioria das pessoas em todas as épocas e lugares sempre foi religiosa.

Por Walter Block
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Proclamação de Anistia e Perdão Concedida a todos os indivíduos com ascendência europeia - Considerando que europeus mantiveram meus antepassados em cativeiro e trabalhando sem pagamento por três séculos, - Considerando que os europeus ignoraram as garantias de direitos humanos da Declaração de Independência e da Constituição dos Estados Unidos, - Considerando que a Proclamação de Emancipação, a Décima Terceira e Décima Quarta emendas significaram pouco mais que palavras vazias, Então os americanos com ascendência europeia são culpados por crimes contra meus ancestrais Mas, reconhecendo que os próprios europeus foram vítimas de variadas violações dos direitos humanos, tal como a Conquista Normanda da Inglaterra, a Grande Fome da Irlanda, o Declínio da Dinastia Habsburgo, as aventuras czaristas e napoleônicas, além de insultos gratuitos e especulações sobre a inteligência dos descendentes de poloneses, Eu, Walter W. Williams, declaro anistia e perdão gerais e irrestritos a pessoas de ascendência europeia tanto por suas queixas quanto pela escravidão que praticaram contra o meu povo. Portanto, de hoje em diante os americanos com ascendência europeia podem ficar tranquilos, cientes de que estão livres de qualquer culpa e desobrigados de agir como idiotas simpáticos quando se relacionam com americanos de ascendência africana. Walter W. Williams, generoso outorgante

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