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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Cabo Daciolo desmascara Freixo e Jean em discurso.

Daciolo ataca Freixo e Jean em discurso na Câmara
Entrevista / Cabo Daciolo

Até esta entrevista ao DIA Online , o deputado federal Cabo Daciolo vinha se pronunciando apenas através dos vídeos publicados na página no Facebook dedicada ao mandato de deputado federal. Aqui, Daciolo surpreende e diz não apenas que não tem a intenção de deixar o Psol, como afirma que pretende ser presidente do partido no Rio e candidato ao governo do estado.

O DIA - Os PMs do caso Amarildo foram presos após investigação da Polícia Civil e do Ministério Público que apontou o envolvimento de todos no crime. O Psol e sua militância se empenharam em defender a apuração do caso. O senhor, ao ir à tribuna do plenário defender este tema, não sabia que provocaria um desgaste dentro do partido?

Cabo Daciolo -  Quando eu entrei no Psol, todos sabiam que eu era militar e todos sabiam que eu sempre falei de Deus. Não é novidade para ninguém. Todo mundo me conheceu dessa forma. O Psol me aceitou assim. Eu vou sempre defender os militares. Esses policiais estão presos há um ano e oito meses. Um dos policiais morreu no BEP (Batalhão Especial Prisional) aos 33 anos.

O DIA - A alegação é que estes policiais soltos poderiam destruir provas do crime

Cabo Daciolo - Três deles nem estavam no local. Um desses garotos adquiriu um problema cardíaco dentro da prisão e veio a falecer após um ano e cinco meses preso sem um julgamento, sem uma decisão condenatória. Eu preciso que Direitos Humanos vá ouvir esses trabalhadores. São cidadãos. Enquanto não houver julgamento, não são culpados. Eu peço que o deputado Marcelo Freixo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, vá ao BEP ouvir estes policiais e os familiares destes policiais. Em momento algum ele fez isso.

O DIA Online - Em entrevista a esta reportagem, o deputado federal Chico Alencar disse acreditar que o senhor, com mais este pronunciamento, está tentando provocar a saída do partido. 

Cabo Daciolo - Eu quero permancer no Psol, quero crescer no Psol. Já estou com mais de três mil homens e mulheres se filiando ao partido para que eu possa concorrer à presidência do Psol. Eu me identifico com a luta de esquerda. Admiro o deputado Ivan Valente. Esse é um grande exemplo a ser seguido, que me faz permancer no partido. O artigo 90 do partido dá liberdade de expressão religiosa. Vou lutar para me tornar presidente do partido no Rio de Janeiro e tenho o sonho de, num futuro bem próximo, ser governador do estado do Rio de Janeiro pelo Psol. Tenho a certeza que o partido vai reconsiderar essa suspensão.

Enquanto isso, o deputado Jean Wyllys apoia o reitor da UniRio que defende a terceirização da saúde. Esse parlamentar tem que ser suspenso. Como ele pode apoiar o reitor da UniRio que apoia a terceirização da saúde? Eu quero apenas entender porque eu estou sendo suspenso.

O DIA -  Por que o senhor acredita que está sendo suspenso?

Cabo Daciolo - Na época da campanha em que fui eleito deputado federal, eu nunca tive tempo de televisão. Não me deram um material para campanha. Esperavam que eu fosse fazer 10 mil votos. Achavam que eu fosse só somar votos para os candidatos que a liderança do Psol queria eleitos. O Marcelo Freixo, o Jean Wyllys e o Renato Cinco não acreditavam que eu poderia fazer 49.831 mil votos. Eu tenho uma lista de três mil pessoas que estão comigo se filiando ao Psol. Será que isso está provocando alguma reação? Será que é isso que está acontecendo? Eu quero permanecer no Psol e me tornar presidente do Psol no Rio e lutar pelos trabalhadores. Contra a terceirização dos trabalhadores. Eu quero e vou permanecer no Psol.

O DIA - A proposta de inclusão do nome de Deus na Constituição é inegociável?

Cabo Daciolo - Toda a honra e toda a glória de eu estar aqui na Câmara é de Deus. Eu gastei R$ 35 mil na minha campanha, não tive material nenhum de campanha, não tive tempo de televisão e tive 49 mil votos. Quem não vai falar que isso não é um milagre? Não prego religião. Eu acredito que Deus é criador do céu, da Terra e de tudo o que há. Não habita em templo feito por mãos de homens. Vou sempre defender o nome de Deus. Eu sou a favor do estado laico. O estado é laico, o estado não é ateu. Defendo a liberdade religiosa. 

O DIA - O senhor vai apoiar a candidatura de Marcelo Freixo à Prefeitura do Rio em 2016?

Cabo Daciolo - Tem muita coisa para acontecer ainda. No momento atual, eu quero ser apoiado dentro do partido. Eu respeito o Freixo. Tenho um carinho por ele, como eu tenho um carinho pelo Jean Wyllys. Eu quero aprender no Psol. Quero aprender com eles. Quero desenvolver o meu país. Quero um país com educação, saúde e segurança pública de qualidade. Eu quero unir o militar e o cidadão. Existe uma separação do militar e do militante do Psol, e eu estou no meio dizendo que o militar e a população devem se unir para fazer do país uma grande nação.

O DIA - O senhor é chamado de reacionário nas redes sociais. Um dos temas mais caros ao deputado Jean Wyllys é o do casamento igualitário entre pessoas do mesmo sexo. Se este projeto chegar ao plenário de votação na Câmara o senhor vai votar a favor?

Cabo Daciolo - Da mesma forma que o Jean Wyllys tem o direito de colocar este projeto, que ele acredita ser certo, em votação, eu também tenho o direito de apresentar o projeto que diz que todo poder emana de Deus, que o exerce de forma direta e também através do povo.

O DIA - Mas, objetivamente, qual é sua posição?

Cabo Daciolo - Esse não é o momento, o debate não é esse. O meu debate é para ser tratado com igualdade no Psol. Eu estou num momento em que eu fui suspenso, mas continuo nas Comissões. Que suspensão é essa? O estatuto do Psol nos dá o direito à liberdade religiosa. Tenho certeza que vou conseguir reverter essa suspensão e, na honra de nosso senhor Jesus Cristo, ser presidente do Psol.

JORNAL O DIA RIO

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