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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A mentira da SUPERPOPULAÇÃO mundial



O mito da superpopulação



Malthus, pioneiro na ideia de que o mundo não aguentaria tanta gente, previa que a comida do mundo acabaria em 1890. Na década de 60, a ONU (sempre ela) começou a apregoar que isso ocorreria no fim da década de 70. Hoje, 2012, nunca o mundo desperdiçou tanta comida.



Voltava do Recife, casamento de Jorge Ferraz, onde tive o prazer de encontrar os editores desta revista, e olhava Alagoas pela janela. Notei uma imensa área verde, não parecia haver ninguém, e lembrei como se diz por aí que estamos chegando a um ponto de superpopulação no planeta. Mas isso não é verdade.

Junte todas as pessoas do mundo numa única multidão. Cabe todo mundo no Distrito Federal. E nem é muito apertado: pense antes numa missa campal que num show. Dá 0,85m² por pessoa, bem mais tranquilo que um metrô ou um ônibus. Duvida? 

Pergunte ao Wolfram Alpha:


Ok, mas não dá para colocar toda a humanidade numa multidão. Vamos fazer o seguinte. Vamos dar um lote de 86m² (maior que o meu apartamento) para cada pessoa do mundo. Cabe todo mundo em Minas Gerais:



E isso que não considerei que as pessoas se juntam em famílias e que hoje fazemos construções verticais, os prédios. Muitas vezes acreditamos na balela de superpopulação porque vivemos, a maioria da humanidade, em grandes cidades, e consideramos impossível que se sustente uma densidade assim em todo mundo, esquecendo-nos das áreas inabitadas ou de população muito esparsa, que formam a maioria do território.

Malthus, pioneiro na ideia de que o mundo não aguentaria tanta gente, previa que a comida do mundo acabaria em 1890. Na década de 60, a ONU (sempre ela) começou a apregoar que isso ocorreria no fim da década de 70. Hoje, 2012, nunca o mundo desperdiçou tanta comida.


Há fome no mundo, e sempre houve. As causas são complexíssimas, mas o excesso de gente não é uma delas. Guerras, pobreza, má distribuição, ganância, concorrem para a fome muito mais que o excesso de pessoas.


A pobreza, contudo, tem uma maneira eficaz de ser combatida: mais gente no mundo! Quanto mais braços a trabalhar, mais riqueza é produzida. E isso torna-se óbvio ao ver o êxodo rural de meados do século XX, em que muitos pais de família foram “sozinhos pra capital”, como diz bela canção de Caetano Veloso. A cidade, com todos os seus problemas, exatamente por ser uma concentração enorme de pessoas, permite uma geração de riqueza mais eficaz.

Além de falta de espaço e de comida, outros problemas podem ser elencados em relação ao crescimento populacional, como a geração de lixo, e o uso de outros recursos que não alimentos. Para estes últimos, a inovação científica e tecnológica, aliada à geração cada vez mais eficiente de riquezas, tem andado em ritmo mais veloz que o aumento populacional. O lixo depende de novas ideias e uma nova (ou antiga) maneira de entender o consumo.


A diminuição da população, contudo, traz problemas reais.

É natural na história que os jovens sustentem os velhos quando esses param de trabalhar, como um dever de justiça; o próprio sistema previdenciário é baseado nessa ideia. O aumento da expectativa de vida, juntamente com a queda nas taxas de natalidade, tornou mais difícil (e cada vez mais raro) que isso fosse cumprido, e frustrou cálculos previdenciários feitos há 60 anos. Diversos países que tiveram a sua taxa de natalidade diminuída nos tempos recentes hoje vivem crises gravíssimas de previdência social.


Alguns países já percebem o mal que a diminuição populacional causa, e começam a enfrentar o problema. Vários países europeus, que sofreram um inverno demográfico voluntário e hoje têm medo de uma dominação islâmica meramente numérica (já que esses últimos não se negam a ter filhos), hoje dão inúmeras benesses a quem tenha filhos, chegando ao ponto de dar um valor fixo em dinheiro por mês a cada um que se tenha. Em Cingapura foi feita uma campanha de extremo mau gosto para que as pessoas dedicassem certa noite (a Menthos National Night) à reprodução.


O fato: não há superpopulação. O tamanho da população mundial nunca trouxe problemas por ser grande mas, ao contrário, onde falta gente abundam problemas. Para mais informação, recomendo a visita a este site: http://overpopulationisamyth.com.



Luís Guilherme Pereira é engenheiro de computação e colunista do site da revista Vila Nova, no qual foi publicado este artigo.


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