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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A pacífica revolução da Uber está alcançando um êxito que décadas de ativismo não conseguiram

Sede da Uber em San Francisco, sala de programação.  Estou em pé, na parte dos fundos da sala. O cenário à minha frente é de centenas de empregados absolutamente concentrados em frente a seus monitores.  Eles estão acompanhando todos os pedidos enviados e todas as corridas em andamento em centenas de cidades ao redor do mundo.

As pessoas fazendo as negociações estão sendo conectadas entre si pelo sistema peer-to-peer (arquitetura de redes de computadores em que cada um dos pontos ou nós da rede funciona tanto como cliente quanto como servidor, permitindo compartilhamentos de serviços e dados sem a necessidade de um servidor central).

E trabalho aqui é o que não falta.  Os empregados da Uber estão, constantemente, observando os fluxos do trânsito, ajustando os preços, tentando descobrir e corrigir eventuais defeitos, testando novos recursos, monitorando a largura da banda, acompanhando todas as informações enviadas, aprovando novos motoristas, e tomando várias outras medidas para manter essa empresa de cinco anos de idade em contínuo crescimento.


Todo motorista precisa de um passageiro.  E todo passageiro precisa de um motorista.  A Uber está ali para fazer com que ambos sejam conectados da maneira mais eficiente possível — e de uma maneira que assegure que ambos os lados irão se beneficiar.

O escritório da Uber é silencioso e dotado de um amplo espaço para o trabalho.  As escrivaninhas possuem uma largura de aproximadamente 1,80 metro e são alinhadas em grupos de três.  A maioria dos empregados utiliza iMacs de tela grande, mas possuem notebooks de reserva que podem ser levados para outras áreas de trabalho, tais como pequenas salas de conferência e até mesmo pequenos cubículos criados junto às paredes.

À medida que você vai caminhando pelo escritório, você se depara com telas enormes, que vão do chão ao teto, e que mostram belas imagens em tempo real de tráfego dos veículos da Uber em várias cidades do mundo.

Há apenas sussurros na sala, dado que a maioria das pessoas fala bem suavemente.  O trabalho não parece ser estafante, e você também não vê aquelas tensas demonstrações de excentricidades que algumas vezes são associadas a startups.  Ao contrário, o trabalho simplesmente parece ser intenso e focado, e a busca pelo crescimento parece ser natural e inerente.

Se você desconhecesse toda a dinâmica política em jogo aqui, você simplesmente não captaria todo o revolucionário fenômeno que esse código está possibilitando.  Eis o que está realmente acontecendo: essas pessoas, serenamente digitando em seus teclados, estão sistematicamente arrebentando monopólios que já duram mais 100 anos ao redor de todo o mundo, uma corrida de cada vez.

Eu mesmo me perguntei se esses próprios funcionários entendem o significado disso que estão fazendo.  Afinal, os economistas vêm, há décadas, atacando e criticando o monopólio concedido pelas prefeituras do mundo inteiro aos serviços de táxi.  O setor de táxis é um ótimo exemplo de mercado totalmente protegido pelo estado e blindado da concorrência.  Os serviços de táxi são regulamentados pelas prefeituras, as quais emitem licenças que permitem que apenas determinadas pessoas realizem tal serviço.  Em quase todo o mundo o funcionamento é o mesmo: só pode prestar serviços de táxi quem o estado permite.

A existência desse cartel protegido pelo estado não tem absolutamente nenhuma justificativa.  Trata-se de um caso explícito de protecionismo e reserva de mercado: um pequeno grupo de motoristas cria um lobby para obter um privilégio concedido e protegido pelo governo, e o excedente obtido com esse monopólio flui diretamente (na forma de financiamento de campanha) para os bolsos dos políticos que concedem e mantêm esse privilégio. [N. do E.: mas há deliciosas ironias].

Trata-se de um sistema tipicamente feudalista.

Houve uma época em que a maioria das indústrias operava desta mesma maneira — até que a revolução liberal do século XVIII desmantelou todos os monopólios e criou o fenômeno da concorrência.  No entanto, e infelizmente, as cidades modernas ressuscitaram esse arranjo nefasto, criando serviços de táxi monopolistas que praticam preços altos, fornecem serviços abaixo da crítica, e proíbem uma livre transação entre concorrentes e consumidores — os quais, sem essa barreira estatal à entrada, estariam ávidos para entrar nesse mercado e praticar transações voluntárias.

Monografias acadêmicas e colunas de jornal vociferando contra o monopólio dos táxis, contra a corrupção endêmica que grassa nesse arranjo e contra os péssimos serviços prestados já foram escritas aos milhares.  Mas apenas argumentos racionais, mesmo que em profusas quantidades, não bastavam.  Eles não alcançavam nada.  Ninguém se mexia.  Os grupos de interesse que se beneficiavam do arranjo monopolista (cooperativas e sindicatos de taxistas) já haviam aparelhado a máquina e tinham todos os políticos no bolso.  Todo o arranjo era uma afronta, mas ainda assim persistia (uma observação que pode ser aplicada a todos os outros programas do governo).

E eis que então surgiu a Uber.  Primeiro havia apenas incredulidade: "isso nunca irá funcionar".  Depois veio a surpresa: "está funcionando!".  Depois veio o pânico: "estamos perdendo nossa reserva de mercado!".  Depois vieram os protestos violentos e desesperados liderados pelos monopolistas.

Mais recentemente, ao redor do mundo, estamos vendo sinais de aquiescência, com vários governos aceitando, ainda que resignadamente, aquela realidade que sempre temeram: passageiros e motoristas simplesmente adoram essa nova maneira, criada pelo livre mercado, de encontrar um ao outro.

Em uma inversão da tradicional dinâmica da "teoria da escolha pública" (que diz que toda ação de um grupo de interesse gera benefícios concentrados e custos difusos), os benefícios da concorrência são difundidos por toda a cidade, ao passo que os custos de se tentar abolir essa concorrência se tornam concentrados.  Isso dá à Uber uma vantagem sobre o status quo.

No final, toda a ideia da Uber é simples.  Os motoristas se cadastram; os passageiros anunciam que precisam de uma corrida; e o aplicativo da Uber se encarrega de facilitar o encontro e a transação monetária.  É algo que jamais poderia acontecer não fosse a revolução criada pelos aplicativos de smartphones.  Esses aplicativos em conjunto com a ubiquidade dos smartphones são o que possibilitam que passageiros se comuniquem com motoristas sem terem de balançar os braços na rua na esperança de que a pessoa certa esteja eventualmente passando por ali.

O aplicativo também permite um cuidadoso monitoramento de qualidade.  Os passageiros atribuem notas para os motoristas.  Os motoristas, por sua vez, também classificam os passageiros.  Ambos têm um forte incentivo para fazer com que a experiência seja a melhor possível, pois ambos têm interesse em repeti-la.

Redução de acidentes causados por embriaguez, redução do congestionamento nas ruas, novas finalidades para a carona solidária, novos empregos — todos esses benefícios já eram previsíveis, mas ninguém os previu.

Para mim, o mais incrível tem sido a política criada por essa revolução pacífica: consumidores rapidamente se tornaram também ativistas pela livre concorrência nos transportes.  Suas manifestações em apoio aos serviços de carona possibilitados pelo sistema peer-to-peer têm sido tão intensas e sonoras, que o establishment político em vários países do mundo teve de recuar.  E mesmo naqueles casos em que o poder dos taxistas é enorme, o livre mercado desferiu um poderoso golpe ao obrigar o cartel a reduzir dramaticamente seus preços.

Em tempos modernos, raramente uma empresa conseguiu se mostrar tão agressiva e ousada ao atuar contra as regulamentações estatais.  A Uber adentra as cidades quase que invisivelmente.  Um motorista quer dirigir.  Ótimo.  Um cliente quer uma corrida, e esse motorista concorda.  Trato feito, negócio fechado.  Mais motoristas se alistam nesse mercado promissor.  O livre mercado se expande.  A única maneira de você realmente perceber esse incrível fenômeno ocorrendo em tempo real é baixando o aplicativo e observando os carros na sua vizinhança.

Ano passado, estive na cidade de Wichita, estado do Kansas.  Na recepção do grande hotel em que estava hospedado, localizado exatamente no centro da cidade, perguntei se havia Uber na cidade.  A recepcionista me disse que não, e complementou dizendo que poderia chamar um táxi, o qual não demoraria mais do que 30 minutos para chegar.  Apenas para me certificar, abri o aplicativo do celular e vi que havia nada menos que quatro motoristas da Uber em um raio de um quilômetro do meu hotel.  Cliquei o botão e praticamente logo em seguida entrei no carro.  A recepcionista do hotel nunca entendeu o que aconteceu.

Praticamente todas as pessoas que já o utilizaram têm suas próprias histórias para contar.  Particularmente, as minhas favoritas são aquelas que envolvem as várias vezes em que utilizei o serviço para burlar as ridículas restrições em voga em vários aeroportos ao redor do mundo.  Há vários alertas nos aeroportos: utilize apenas veículos autorizados.  Não aceite caronas de uma pessoa que lhe aborde.  Utilize apenas os despachantes oficiais.  Certo.

O fato é que, no final, nem mesmo a mais rígida segurança aeroportuária pode impedir que um passageiro seja apanhado por amigos.  E os motoristas da Uber se vêem dessa maneira.  Eu clico no aplicativo e em seguida ligo para o motorista para combinar um bom local para ele estacionar, exatamente como você faria com um amigo ou com um familiar.  Funciona sempre.  E, para completar, há ainda aquela maravilhosa sensação de prazer oriunda do ato de, pacificamente, driblar sistemas monopolistas mantidos por meio da coerção e da ameaça de violência.

Perguntei a um funcionário da Uber se aquelas pessoas ali se vêem como revolucionários políticos.  Ele disse que "absolutamente não".  Eles são ativistas de direitos civis, mas com conhecimentos tecnológicos.  Eles apenas criaram uma maneira de fazer com que pessoas que podem acrescentar valor à vida de terceiros se encontrem, transacionem livremente e cooperem voluntariamente.

No final, é exatamente isso o que o ativismo de livre mercado proporciona.  Ainda assim, a maneira como tudo está acontecendo é bastante surpreendente.  Dez anos atrás, eu jamais imaginaria que um time de programadores em um pequeno escritório em San Francisco deixaria de joelhos poderosos e centenários monopólios estatais em Nova York, Moscou, Pequim e em centenas de outras cidades ao redor do mundo.

Mas esse é o poder da tecnologia aliada ao livre mercado.  Esse é o poder da escolha humana, que torna tudo isso possível.

Instituto Ludwig von Mises Brasil

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