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terça-feira, 26 de agosto de 2014

1986 Quando empresários eram presos e humilhados.

O empresário Omar Marczynski, que na década de 80 ficou conhecido em todo o país como o "Fiscal do Sarney", faleceu em 4 de novembro de 2007 , na cidade de Manaus (AM). Marczynski sofria de câncer no pulmão e tinha 64 anos.
No dia 1º de março de 1986, no início do Plano Cruzado, que decretou o congelamento de preços a fim de combater a inflação mensal que estava na casa dos dois dígitos, Marczynski liderou o fechamento de um supermercado em Curitiba (PR).
O estabelecimento foi acusado de desrespeitar o tabelamento de preços imposto pelo Cruzado. Na ação, testemunhada por veículos de comunicação, o empresário dizia que fechava o supermercado "em nome do presidente da República José Sarney". No lançamento do plano, Sarney convidou os consumidores a se tornarem "fiscais do presidente".
Mais tarde, a convite do presidente Fernando Collor de Mello, atuou em Brasília como Superintendente Nacional da extinta Sunab, exatamente o órgão da administração federal responsável pelo abastecimento e controle de preços.
Atualmente aposentado, residia desde 2002 em Manaus. Segundo Samantha Marczynski, filha do empresário, Omar não tinha militância política, mas era um ardoroso defensor do governo Lula.


Pouca gente sabe, ou se deu conta na época, mas o Brasil já viveu um regime socialista. E foi um sucesso... por pouco tempo. [Apenas 08 meses]

Em 28 de fevereiro de 1986 o presidente Sarney, acossado pela hiperinflação que grassava no país e tendo a legitimidade de seu mandato questionada, decretou o congelamento geral de preços e salários. Em sessão solene transmitida pela TV, ele declarou guerra à inflação e convocou todo o povo para o bom combate, imputando aos especuladores e empresários gananciosos a carestia que castigava a nação. O presidente obteve aprovação quase unânime da população.  Mais de 95% do povo apoiava o Plano Cruzado (essa a nova denominação da moeda nacional) sem reservas. 

De um dia para o outro, todas as transações privadas caíram sob estrito controle estatal. A propriedade privada e a liberdade econômica foram suprimidas de um só golpe, uma vez que o poder de disposição (vender, alugar etc.), sem o qual o direito de propriedade é privado de sua substância, foi abolido.  Somente se podia celebrar contratos bilaterais onerosos pelo preço decretado e controlado pelo estado.  Dito de outra forma, o Brasil aboliu a economia de mercado e adotou o socialismo.

Logo empresários e gerentes de loja eram presos e humilhados sob a acusação de aumentar preços ilegalmente. Estabelecimentos comerciais foram depredados por turbas enfurecidas. Todos os cidadãos foram informalmente nomeados "fiscais do Sarney" e nenhum comerciante se sentia seguro. Choviam delações anônimas, ao que se seguiam espalhafatosas razzias da SUNAB nas lojas, elevada à condição de KGB nacional.


A adesão da intelectualidade foi, naturalmente, total.  Os mesmos que ainda ontem criticavam o uso do decreto-lei (antepassado das medidas provisórias) e as arbitrariedades dos militares agora as aprovavam efusivamente.  O ministro da fazenda Dilson Funaro, que secretamente sofria de um câncer quase terminal, fez-se um verdadeiro messias do cruzado. Os economistas que perpetraram o plano, João Sayad, Luiz Gonzaga Belluzo, Persio Arida, Francisco Lopes e outros viraram celebridades instantâneas.  A mentora de todos eles, a economista lusa Maria da Conceição Tavares, passou a ser considerada a sumidade suprema da ciência econômica, e a mídia a retratava como a "guerreira do cruzado".  Os partidos políticos que recentemente atacavam Sarney aderiram em massa ao presidente.  A esquerda, inclusive o nascente PT, perdeu o discurso e ficou na dela.  Como pregar o socialismo se o próprio governo o adotara?  Sarney e seu bigode eram adorados e adulados pelas massas, tal qual um Stalin tupiniquim.

Poucas vozes ousaram discordar.  O sempre corajoso jurista Ives Gandra foi um dos poucos a proclamar para quem quisesse ouvir que o pacote era inconstitucional de cabo a rabo, e olha que a constituição vigente era aquela outorgada pelos militares em seu período mais duro.  Mas ninguém queria ouvir, muito menos o Judiciário.  A oposição mais cerrada, coerente e de primeira hora veio da revista semanal Visão, onde pontificava o editor Henry Maksoud.  Inflação não é aumento geral de preços, escrevia ele.  Essa é a consequência.  A causa é a expansão desenfreada dos meios de pagamento pelo governo para financiar seus monumentais déficits.  O único culpado pela inflação é o governo e só ele pode acabar com ela.  Abolir o mecanismo de preços equivale a destruir a economia de mercado. 

Controle de preços nunca resolveu o problema, e a sucessão de fracassos nesse campo foi enumerada começando por um famoso e malogrado decreto do imperador romano Diocleciano, em 301 DC, que parecia uma "tabela da Sunab".  Não demorou para que o filho de Maksoud fosse preso e ele próprio recebesse ameaçadoras "visitas" da Sunab. Maksoud foi "banido" dos programas de TV que discutiam o plano.  Jornais recusavam-se a reproduzir seus artigos.  A revista Visão recebia uma enxurrada de cartas de leitores furiosos, contendo os piores insultos. Maksoud as publicava e replicava pacientemente. O governo garantia que o déficit e a emissão de moeda estavam "sob controle total". Como?, retrucava a Visão, se nenhum funcionário público foi demitido (ao contrário, a época era de contratações e "trens da alegria" a rodo), nenhuma estatal foi privatizada, nenhum gasto foi suprimido, os vastos subsídios não foram cortados e a carga tributária não foi aumentada?  Os números das contas públicas sumiram, deixaram de ser publicados, coisa que nem os militares fizeram.

Aos poucos, contudo, a euforia foi passando e os efeitos previstos por Maksoud começaram a se fazer sentir.  As mercadorias principiaram a escassear e a sumir.  Mercados paralelos floresceram e só pagando "ágio" era possível comprar as coisas.  O Brasil foi tomando a feição bem conhecida nos países comunistas.  Filas nas lojas e nada para comprar, salvo no mercado negro.  O ministro Funaro expôs-se ao ridículo de mandar a Polícia Federal caçar bois nos pastos, já que a carne desaparecera do mercado.


Ficou evidente que o déficit público e a expansão monetária não haviam sido controlados coisa nenhuma.  Nada mudara.  A economia entrou em colapso, mas o "plano" foi mantido até as eleições, por exigência do PMDB, o "partido do cruzado".  Logo depois das eleições, que resultou em esmagadora vitória do PMDB, o governo traiu os que tolamente acreditaram que o cruzado era sério.  Os preços foram descongelados e a inflação reprimida os chutou para o alto.  Haveria novos "planos" e novos congelamentos, inclusive o mais violento dos "choques heterodoxos" que foi o Plano Collor I.  Mas o encanto se esgotara.  Ninguém mais levava a sério o socialismo.

É claro que Sarney, o clássico "coroné" patrimonialista nordestino, não era um socialista marxista.  Ele apenas utilizou o truque do congelamento para se tornar popular e se manter no "pudê".  Quando o "plano" fracassou, Sarney não deu o passo seguinte na direção do socialismo totalitário, que teria sido a estatização de todos os meios de produção (inclusive a força de trabalho de cada um).  Voltamos, pois, à velha e péssima "economia mista" de praxe.  Um governo Lula ou assemelhado, porém, teria seguido adiante, e pior, contaria com amplo e majoritário apoio popular!

É uma pena que o povo brasileiro não tenha consciência de que aquilo é o verdadeiro socialismo, daí para pior. Logro, arbítrio, violência, escassez, caos, manipulação.  Pois ao que parece a história vai se repetir, pois os "economistas" do PT são os mesmos do cruzado.
  Como é que pode esses caras ainda terem influência no país? Por muito, muito, menos médicos e engenheiros perdem a licença profissional.  Mas essas figuras macabras continuam dando as cartas nos meios acadêmicos e políticos.  É nisso que dá deixar a ciência econômica aos cuidados dos seguidores de Marx e Keynes.  Toda a sociedade paga a conta.

AUTOR: Alceu Garcia é o pseudônimo de um cidadão que, cercado de esquerdistas por todos os lados, e já conhecendo o tratamento que eles dão a quem ouse contrariá-los no local de trabalho, tem bons motivos para desejar permanecer incógnito.


FONTE: Instituto Ludwig von Mises Brasil.

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