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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Onde o Anarco Capitalismo Funcionou?

Mudanças profundas na perspectiva intelectual de uma pessoa não ocorrem da noite para o dia.  Primeiro, você cogita a ideia.  Em seguida, você avalia sua plausibilidade.  Você pode até abraçar completamente a ideia, mas apenas de forma abstrata.  

A verdadeira mudança intelectual ocorre apenas quando você se torna capaz de ver a ideia funcionando no mundo real — até mesmo em sua vida cotidiana.  É aí que a confiança em uma ideia se impõe.

Uma coisa é você enxergar a luz lá longe; outra bem diferente é ver essa luz ao seu redor constantemente.  Este passo me tomou vários outros anos de meditação acerca de questões específicas como direitos humanos, serviços de mercado, a maneira como a liberdade funciona, a maneira como o estado se portou ao longo da história, e a maneira como ele funciona hoje.  Os últimos estágios desse processo de pensamento levaram vários anos para serem processados.

O que eu fui descobrindo de maneira gradual em minha rotina diária é que o anarquismo está inteiramente ao nosso redor.  

O estado não nos acorda de manhã, não arruma nossa cama, não tece nossos lençóis, não constrói nossas casas, não faz nossos carros funcionarem, não prepara nossa comida, não nos faz trabalhar com mais afinco e dedicação, não produz os livros que lemos, não gerencia nossas igrejas, não nos dá roupas, não escolhe nossas amizades e nossos amores, não toca a música de que gostamos, não produz os filmes a que assistimos, não cuida de nossos filhos, não cuida de nossos pais, não escolhe onde passamos férias, não dita o assunto de nossas conversas, não torna nossos feriados mais bonitos e alegres, não cria nada de positivo para nós.

Tudo isso são coisas que fazemos por conta própria.  Nós moldamos o nosso próprio mundo.  Por meio da prática da vontade humana, todos nós trabalhamos para fazer com que o mundo à nossa volta seja ordeiro.  Isso é o que toda a população mundial faz.  Todos nós trabalhamos motivados pelo nosso interesse próprio com o intuito de encontrar maneiras de ter uma vida melhor.  

Mais ainda: todos nós nos esforçamos para trabalhar com terceiros em um arranjo que seja mutuamente benéfico, de modo que o aprimoramento de nossa vida não ocorra à custa dos direitos e das liberdades de terceiros.  A liberdade está onde são geradas as coisas bonitas de nossas vidas.  E isso é válido em todos os cantos do mundo.  Sempre foi.  Uma bela anarquia é a principal fonte da própria civilização.

Qual o papel do estado?  Ele interfere.  Ele confisca nossa propriedade e reduz nossa riqueza individual.  Ele bloqueia oportunidades por meio de suas regulamentações e subsequentes criações de cartéis.  Na verdade, ele faz ainda pior: ele busca desculpas para iniciar guerras, ele se intromete em nossas famílias, ele pune o comportamento pacífico que não prejudica ninguém — em suma, ele obstrui o progresso de variadas formas.  

O estado é o grande forasteiro.  Ele é exógeno à própria sociedade.  A maior parte do mundo ainda funciona, e a civilização ainda prospera, porque as pessoas se esforçam para ignorar o estado o máximo possível.  E se ele desaparecesse?  Eu realmente não consigo ver nenhuma consequência negativa neste fenômeno.  Mas vejo várias positivas.

E ainda assim há aqueles que alertam para o iminente apocalipse caso o estado desapareça.  A maioria das pessoas que acreditam em um governo limitado (“minarquistas”) nutre essa ideia.  Mesmo grandes pensadores como Ludwig von Mises e Henry Hazlitt acreditavam nisso.  Todos eles aceitavam alguma versão do pesadelo imaginado por Thomas Hobbes: na ausência do estado, a vida seria sórdida, solitária, bestial e curta.  

Não irei aqui analisar todas as distorções já feitas em relação a esta ideia, e nem irei utilizar este espaço para tentar refutar todas as justificativas já apresentadas em defesa do estado.  Irei apenas mencionar uma intuição bastante comum que muitas pessoas têm.  As pessoas dizem que não faz muito sentido eliminar o estado porque outras pessoas irão simplesmente criar outro em seu lugar.  Não duvido que esta afirmação seja verdadeira.  As pessoas de fato têm a ilusão de que o estado contribui com algo de positivo e importante para a sociedade.  Elas querem líderes que governem desde lá de cima, ainda que elas próprias estejam aqui em baixo.

Pense em Samuel, do Velho Testamento.  As pessoas vinham até ele implorando por um rei.  Ele advertiu que um rei confiscaria suas propriedades, colocaria seus filhos em servidão, iniciaria guerras terríveis e, no final, escravizaria a todos.  Não importava.  Elas queriam um rei de qualquer maneira.

Este é exatamente o comportamento das pessoas de hoje.  Nada mudou.  Elas continuam implorando por sua própria escravidão.  Pior ainda: temem viver em liberdade.  É por isso que o estado continua se reinventando.  Aqueles que ao menos entendem que o estado deve ser limitado caso tenha de existir merecem alguns créditos.  Mas o problema é que tais limites nunca de fato funcionaram.  É por isso que é melhor simplesmente deixar a sociedade prosperar sem o jugo de um estado.  

O grande projeto da liberdade é fazer as pessoas entenderem que elas não devem abraçar a ilusão de que um estado — qualquer estado — pode ser um aliado e um benfeitor da liberdade humana.  

Desde o início da era digital, estamos tendo o privilégio de observar em primeira mão o atordoante poder criativo da volição humana.  A cada bilionésimo de segundo, indivíduos ao redor de todo o mundo estão trabalhando para criar novos tipos de associações, instituições, capital e meios de prosperidade.  Estamos vendo se desenrolar perante nossos olhos coisas que até a década passada eram tidas como impossíveis. 
 E tudo está apenas começando.  Estamos ainda nos primórdios de coisas como impressora 3-D, moedas alternativas, e civilizações com bases digitais capazes de nos ofertar mais filmes, mais livros, mais arte e mais sabedoria do que qualquer ser humano de épocas passadas seria capaz de obter durante várias vidas.  Este mundo recém-surgido está transformando nossa existência.  Tome nota: nenhum estado foi responsável por isso, nenhum estado criou isso, nenhum estado aprovou isso e nenhum estado está administrando tudo isso.

Por fim, deixe-me admitir aqui que meu anarquismo é provavelmente de ordem mais prática do que ideológica — o que é exatamente o oposto da postura dos mais bem conhecidos pensadores anarquistas da história.  Vejo a regularidade e a harmonia da ação e da volição humana ao meu redor o tempo todo.  Acho tudo isso totalmente inspirador.  É algo que liberta a minha mente e me permite entender o que é realmente importante na vida.  Essa capacidade de observação me permite ver a realidade como ela é.  Não é uma ideologia inalcançável o que me deixa ansioso por um mundo sem estado, mas sim o fato de eu saber do que é capaz o ser humano quando tem liberdade para melhorar este mundo por meio de seus próprios esforços.  Somente seres humanos podem superar a irremediável realidade da escassez que o mundo impôs sobre nós.  Até onde sei, o estado é, na melhor das hipóteses, o grande distúrbio que retarda esse poderoso projeto de construção da civilização.

Sobre o Autor: Jefrey Tucker
Jeffrey Tucker é o CEO do Liberty.Me.  É também autor dos livros It's a Jetsons World: Private Miracles and Public Crimes e Bourbon for Breakfast: Living Outside the Statist Quo

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