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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Homeschooling 1.0

Uma aluna perguntou-me se emitirei algum comprovante ao término do curso "Homeschooling 1.0". Respondi-lhe que não, que este é um curso livre. No entanto, vi que seria uma boa ideia esclarecer publicamente um pouco mais desse assunto, pois outras pessoas poderiam ter a mesma dúvida, e resolvi aproveitar a ocasião:

Em meus tempos de PUC, cerca de 15 anos atrás, acredito que não havia aluno mais cdf do que eu, participando de todos congressos, seminários, debates, mesas redondas etc. Claro, eu queria muito aprender, mas queria também o certificado, pois este era importante para o currículo. E o currículo era importante para o trabalho -- o trabalho que, esperava eu, estivesse logo ali, num futuro próximo. No entanto, conforme o tempo foi passando, embora obtivesse sempre as melhores notas, frequentasse todos os eventos, lesse todas as indicações, pouco, de fato, se aproveitava, existencialmente falando. Eu permanecia à espera de uma síntese, nem que fosse sob a forma de um insight, que "amarrasse" tudo aquilo que eu absorvia ansiosa, e que me transformasse, enfim, numa filósofa.
Transformava-me numa pequena enciclopédia, errando, todavia, nas coisas mais elementares da vida. E lá se foram 10 anos consecutivos. E lá se foi a graduação, o mestrado e o doutorado (do qual não defendi a tese). Saí da PUC sem ter alcançado o objetivo que tanto persegui, sem entender o que havia vivido, sem compreender como, apesar dos 10 teimosos anos, eu não estava nem meio milímetro mais perto de Sócrates, mas estava bem mais amarga, decepcionada e confusa.

Passou-se o tempo e finalmente comecei a perceber que o protocolo, o certificado, o diploma, a láurea, a instituição, o MEC... nada disso garantia coisa alguma de fato, exceto o cumprimento de determinados rituais, alguns mais, outros menos inócuos. Eu havia investido 10 anos da minha vida, da minha juventude, dos 17 aos 27 anos, sendo enganada, como quem alimenta-se de um cardápio e não da comida que ele promete. Durante algum tempo passei a achar que as coisas eram assim mesmo, e abateu-me muitíssimo pensar que todo o conhecimento fosse apenas um verniz, que não fosse além de uma superfície mais polida. Eu não poderia trabalhar, exercer um ofício que fosse tamanho fingimento. Eu não conseguia. Desisti da filosofia. Creio que sofri de uma espécie de úlcera existencial. Por conta dela afastei-me o quanto pude de tudo aquilo. Sim, pois se eu havia investido minhas melhores forças numa fantasia, então seria melhor esquecer e mergulhar na vida cotidiana, nas fraldas, no almoço, na louça, nas roupas para lavar.

Tempo depois, no entanto, conheci o prof. Olavo de Carvalho, um autodidata, alguém que "correu por fora" do sistema tradicional de ensino e que, acredito eu, especialmente por conta disso, pode captar, expressar e transmitir tudo aquilo que eu havia procurado ao longo de 10 anos, ou talvez ao longo de toda a vida, de algum modo.

A história é mais longa do que isso, mas já está longa demais. Em resumo, compreendi que um certificado só confirma a sua participação em algo, vi que o diploma comprova o cumprimento de um ritual que facilitará o seu caminho a um posto de trabalho, entendi que academia não é sinônimo de preparação efetiva, mas apenas o grande funil para aqueles que querem ganhar um pouco mais. Ou seja, a história contemporânea da educação brasileira NÃO TEM NADA A VER com educação ou com conhecimento, mas com dinheiro. E talvez você me pergunte se há algo de errado em querer ganhar dinheiro. E eu respondo: lógico que não! Exceto quando ele deveria vir como resultado de uma conquista grande e real de mais conhecimento e experiência, não como a recompensa pelo bom desempenho no teatro educacional nacional.

É bom ganhar um pouco mais? Repito: Claro que sim! Mas, ao menos para mim, não compensa comprar um carro, uma casa, viajar ou fazer o que quer que seja com o lucro de um negócio que está afundando nosso povo na inépcia, na burrice e na violência a cada dia mais e mais, como "nunca antes na história desse país". Por isso eu não digo e não direi que sou filósofa. Não o sou! Sou bacharel em filosofia. Tenho o papel. Já o "conteúdo"... talvez um dia. Por isso não elaboro e não vendo os meus cursos com base nisso, pois o que aprendi e procuro transmitir não tem nada a ver com os meus títulos. Por isso não emito certificados.

Eu não acredito mais no papel. Eu não acredito mais na burocracia do ritual inócuo. Eu não acredito mais nas "instituições de ensino". Eu não acredito mais no MEC. Eu acredito na liberdade, no interesse sincero, pessoal, intransferível. 

Eu acredito no esforço individual. Eu acredito na competência provada com a vida. Eu acredito em pessoas de carne e osso. E é por isso que eu sou homeschooler, pratico o homeschool e, agora, tenho um curso sobre isso. E não emito certificados. Emoticon smile

http://goo.gl/9yB13k

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