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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Vamos culpar os especuladores!



Vamos culpar os especuladores!
por Walter Williams
Fonte: www.mises.org.br

Eis uma pergunta nada desafiadora: se você acredita que, em um futuro próximo, a safra de trigo, milho, arroz ou qualquer outra commodity será menor do que a esperada, qual seria a coisa mais sensata a fazer quanto ao consumo desses itens atualmente? Aposto que o cidadão médio responderia: consumir menos agora para que haja uma maior quantidade desses bens no futuro.

Porém, como é possível estimular as pessoas a consumirem menos atualmente?

É aí que entra o mercado de futuros, o qual consiste em um grupo, em escala mundial, de milhões e milhões de investidores e aplicadores, frequentemente chamados de especuladores. Esses especuladores, apostando que haverá uma escassez no futuro, compram grandes quantidades de trigo, milho e arroz no presente, na esperança de ganhar dinheiro vendendo esses bens a um preço maior no futuro, quando a safra for ruim (como eles anteciparam que seria).

À medida que os especuladores compram grandes quantidades de trigo, milho e arroz, eles elevam os atuais preços destes itens. Com a elevação desses preços, as pessoas consomem menos. Porém, o que é mais importante: as pessoas tomam essa decisão inteligente sem quaisquer decretos burocráticos. A função vital do investidor do mercado de futuros — ou do especulador — é alocar bens ao longo de diferentes períodos de tempo. E não são apenas trigo, milho e arroz que devem ser alocados ao longo do tempo, mas sim todas as commodities, inclusive petróleo.

Não há absolutamente nenhuma garantia de que os especuladores irão ganhar dinheiro. Eles podem tomar decisões erradas e, consequentemente, levar prejuízo em suas especulações. Por exemplo, eles podem comprar trigo hoje a $8 por bushel na esperança de que, em novembro, o preço do bushel estará em $12, o que lhes permitirá embolsar vultosos lucros. Entretanto, as previsões meteorológicas podem acabar se revelando erradas, de modo que, ao invés de uma safra reduzida, acabe havendo uma safra farta em novembro, fazendo com que os preços caiam para $4 por bushel. Isso fará com que o investimento de $8 do especulador lhe traga um prejuízo de $4.

Se realmente não queremos especulação de commodities, seja porque achamos imoral ou por qualquer outro motivo, podemos facilmente proibi-la. Se fizermos isso, mesmo que haja absolutamente todos os indicativos de que haverá uma safra reduzida de trigo no futuro, os preços de hoje não subiriam. Consequentemente, continuaríamos consumindo hoje como se não houvesse amanhã. E, quando este chegasse, desfrutaríamos a fome.

Nos EUA, o presidente Obama pediu ao Departamento de Justiça para que investigasse se os especuladores poderiam estar manipulando o mercado de petróleo. Se Obama conseguir convencer os outros países a colocar um fim na especulação mundial de petróleo, o preço do barril cairia sensivelmente e todos nós poderíamos consumir gasolina barata, ignorando completamente os conflitos no Oriente Médio que podem impactar acentuadamente a oferta futura de petróleo.

Os ataques da Casa Branca e do Congresso americano à especulação de petróleo não altera a realidade fundamental do mercado de petróleo — isto é, o fato de que ele é governado pela oferta e demanda do produto. Uma medida que realmente faria com que o preço futuro do petróleo diminuísse seria a autorização da exploração dos estimados bilhões de barris de petróleo que existem na costa americana dos oceanos Atlântico e Pacífico, bem como no Golfo do México e no Alasca, para não falar dos bilhões, possivelmente trilhões, de barris de óleo de xisto que existem no Wyoming, no Colorado, em Utah e em Dakota do Norte.

Além dos ambientalistas, os políticos também fazem pouco caso desta ideia — alguns até mesmo desprezam-na abertamente —, dizendo que levaria de cinco a dez anos para que o petróleo começasse a jorrar, e que isso não resolveria os problemas prementes de hoje. Quanta tolice! Garanto que se fossem concedidas as autorizações para a exploração de todas as fontes de petróleo existentes, veríamos uma imediata redução nos preços atuais.

Por quê? Coloque-se no lugar de um membro da OPEP. Você sabe que haverá uma maior oferta de petróleo americano daqui a cinco ou dez anos, o que pode derrubar os preços do barril para US$ 20 ou US$ 30. O que você faria agora, enquanto o barril do petróleo está em US$ 120? Você iria querer vender.

Os esforços coletivos da OPEP para vender mais petróleo atualmente colocariam uma pressão baixista nos atuais preços do petróleo. A Casa Branca, o Congresso americano e os ambientalistas pirados, ao proibirem novas explorações de petróleo, transformam-se nos mais ferrenhos aliados da OPEP. Eu não ficaria nem um pouco surpreso caso descobrissem que a OPEP possui alguma reciprocidade nesse favor tão grande que lhe é feito, provavelmente na forma de contribuições políticas para os congressistas americanos e doações caritativas para grupos ambientalistas.


Walter Williams é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros.
Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.

Tradução de Leandro Roque






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