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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Eu quero mandar a Copa 2014 para a Inglaterra





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Leia este artigo abaixo sobre a situação da África do Sul pós-copa reflita e tome sua decisão.

Jamil Chade, ENVIADO ESPECIAL JOHANNESBURGO - O Estado de S.Paulo

Poucas horas depois de Iker Casillas levantar a taça de campeão do mundo, há exatos sete dias em Johannesburgo, o governo sul-africano ordenava que tropas ocupassem algumas das regiões mais miseráveis da cidade para frear uma tensão latente de ataques xenófobos contra imigrantes estrangeiros. No dia seguinte, funcionários de empresas de energia confirmavam a intenção de entrar em greve.

Passada a euforia, milhões de cidadãos continuavam desempregados e a África do Sul voltava à sua dura realidade. Depois que o circo da Copa do Mundo deixou o país, ficaram a pobreza, a aids, a violência, a desigualdade social e, principalmente, uma divisão profunda entre os líderes sobre qual deve ser o projeto de país para a África do Sul.

Para o mundo exterior, o presidente Jacob Zuma usou a Copa para mostrar uma nova imagem da África do Sul, capaz de realizar grandes eventos. Seu governo não esconde que quer receber os Jogos Olímpicos de 2020 e, principalmente, um lugar no Conselho de Segurança da ONU. Sem poder calcular os ganhos reais do Mundial, Zuma optou por um discurso ambíguo. "Não há preço para o que ganhamos ao abrigar essa Copa."
Para ativistas sociais e parte da população, o que Zuma fez foi usar a Copa para criar uma espécie de cortina de fumaça sobre a real situação sul-africana. Analistas acreditam que a falta de serviços públicos, corrupção e discórdia entre os líderes está em seu ponto mais alto nos 16 anos de democracia do país.

Segundo o Conselho de Pesquisas de Ciências Humanas da África do Sul, a proporção de pessoas vivendo na pobreza na África do Sul não mudou de forma significativa desde 1994. "Na realidade, a camada mais pobre está mais pobre e a diferença social entre pobres e ricos aumentou", diz a entidade num relatório que pretendia "evitar o ufanismo na Copa" e "mostrar as coisas como são".

A tensão entre as classes não desapareceu. A primeira euforia que tende a sumir é o sentimento pan-africano que Zuma tentou estabelecer com a Copa. Com a África do Sul eliminada, televisões, governo e rádios insistiam que a população local deveria torcer para Gana. Mas, com 25% de taxa de desemprego e atraindo imigrantes de países vizinhos, os sul-africanos vivem em conflito com os estrangeiros, lutando por espaço nas favelas e nos trabalhos. Explosões de violência contra estrangeiros foram registrados em 2008 e 2009. A "nação arco-íris" já teme o pior de novo.

Para grupos de direitos humanos, o fim da Copa deve intensificar os confrontos. Pelo menos 130 mil empregos temporários criados para o Mundial deixaram de existir. Tanto a Fundação Nelson Mandela como a ONG Pulse, da África do Sul, admitiram em declarações nesta semana que o risco de violência aumentou com o fim do evento.

"As ameaças de violência maciça relacionada como xenofobia voltaram", disse Duncan Breen, do Consórcio para Refugiados e Migrantes na África do Sul. "Está na hora de o governo parar com o discurso de que a Copa nos uniu e passar a agir para evitar mortes", disse.

Para a Anistia Internacional, o governo "limpou" as cidades de seus problemas, transferindo desabrigados e impedindo a entrada de estrangeiros.

Se não bastassem os problemas com estrangeiros, a insatisfação de trabalhadores de vários setores aumenta. Antes e durante a Copa, os sindicatos ameaçaram entrar em greve como forma de pressionar por melhores salários. A gigante de energia Eskom evitou o pior durante a competição, mas não descarta a hipótese de apagões ainda este ano.

Lilian, uma moradora do Soweto, ironizou o evento e atacou o discurso do governo. "Nem percebi que a Copa era aqui", afirmou. "As promessas eram que nossa vida mudaria. Agora, a Copa acabou e continuo desempregada. Se o governo teve dinheiro para gastar com estádios, podia ter aberto um hospital para a sua própria população".

Dados oficiais mostram que o custo da Copa foi multiplicado por 11 entre 2004 e 2010. Segundo um grupo de ONGs locais, o dinheiro usado para o Mundial pelo governo seria suficiente para construir casas para 12 milhões de sul-africanos que vivem em favelas.

Do outro lado, a Fifa arrecadou US$ 3,2 bilhões em renda com o evento, sem pagar um centavo sequer em impostos ao país sede. Para o CEO da Copa, Danny Jordaan, ver o Mundial dessa maneira é uma "prova de miopia". "No longo prazo, todos vão ganhar", garantiu.

O escritor sul-africano Rian Malan é de outra opinião. "A Fifa encorajou o governo a gastar bilhões que não tínhamos em estádios que não precisamos. Agora, infelizmente, ficaremos com dívidas por anos", disse.


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2 comentários:

Rosangela disse...

Eu acabei de postar um comentário noutro artigo dizendo que eu fico boqueaberta com certas informações que eu desconhecia, como a liberação da maconha, defendido por um Deputado do PT. E agora esta nova bomba. Calma, calma, vai devagar com a dor porque se não eu piro de vez. E é isto que acontece, também, com pessoas alienadas politicamente como eu. Ai...como doi abrir a mente.

Anônimo disse...

Olá ponderante blog , adorei mesmo muito, secalhar poderiamos fcar amigos de blog :) lol!
Aparte de brincadeiras chamo-me Sam, e como tu publico paginas embora o tema principal da minha página é muito diferente do teu....
Eu desenvolvo sites de poker sobre dinheiro gratis para jogar poker online sem teres de por o teu cash......
Adorei imenso o que vi escrito mais uma vez
Voltarei!:)
Ps:tenho um portugues ruim.

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