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sexta-feira, 4 de março de 2011

Tristeza Zona Sul de Porto Alegre






História do Bairro Tristeza

Bairro Tristeza Zona Sul de Porto Alegre
TRISTEZA Assim como a maior parte da Zona Sul, originalmente o Bairro Tristeza caracterizava-se por ser rural e bastante tranqüilo, longe da movimentação e a vida cultural do centro. A própria origem do nome do bairro atesta isso: um dos primeiros moradores da região, José da Silva Guimarães, possuía uma chácara no que hoje é conhecida como Vila Conceição.

As características pessoais deste pioneiro, a quem atribuíam um semblante triste, acabaram por designar o nome do bairro. O Tristeza abrangia uma área maior do que a atual, englobando os que hoje são seus vizinhos (Vila Conceição e Vila Assunção, bem como partes de Camaquã e Pedra Redonda). No entanto, toda essa vasta área só teve alguma movimentação maior a partir do final do século XIX, com a instalação de agricultores italianos que não haviam conseguido lotes de terra na Serra gaúcha.
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A colônia agrícola, batizada de Teresópolis, ironicamente acabou vingando nas proximidades do principal acesso ao Tristeza, a estrada proveniente da Cavalhada, onde hoje se localiza justamente o bairro atual de Teresópolis. Com isso, o primeiro ciclo de impulso à ocupação do Tristeza não havia sido bem sucedido. A construção da Estrada de Ferro do Riacho, com terminal na Tristeza, a princípio serviria para transportar o lixo produzido pelo centro de Porto Alegre para os aterros da Zona Sul. No entanto, a curiosidade da população, despertada pela presença dos trens, fez com que se desenvolvesse o uso para transporte de passageiros deste ferrovia, o que estimulou de maneira decisiva o crescimento do bairro Trsiteza.

Essa facilidade de deslocamento para o Tristeza permitiu que muitas pessoas de maior poder aquisitivo pudessem desafogar o já populoso Centro, comprando propriedades na faixa de terra entre a ferrovia e o Rio Guaíba e instalando casas de veraneio com arquitetura em forma de chalé. Estimulados pela construção de uma faixa de concreto, alguns desses novos moradores passaram a não apenas veranear, mas também a morar no bairro. Apesar do desenvolvimento que a instalação de trem proporcionou, a eletricidade somente chegou ao bairro em 1923, proveniente das linhas de transmissão da Vila Assunção. No mesmo ano, o Dr. Mario Totta patrocinou a festa do “enterro do lampião”.
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Hoje a principal via de acesso ao bairro é a Avenida Wenceslau Escobar, que teve inicialmente a designação de Rua Borges de Medeiros e de 11 de Setembro, até ser definida com seu nome atual em 1951. Esse novo caminho para a Zona Sul de Porto Alegre proporcionou uma ligação muito forte entre a Tristeza e o Cristal, visto que, com a construção do hipódromo do Cristal, desenvolve-se uma intensa atividade imobiliária na região. Dessa forma, por tabela o crescimento do Cristal impulsiona a atividade balneária tradicional do bairro Tristeza. Seguindo essa lógica, o Clube dos Jangadeiros se consolidou como uma das maiores agremiações no ramo dos esportes aquáticos e lazer da Zona Sul. Seu idealizador, Leopoldo Geyer, tinha a idéia de trazer a vela, então concentrada em Navegantes, para o bairro Tristeza.

A partir da compra de uma pequena chácara, o Clube foi se expandindo, até participar de competições nacionais e de abarcar esportes não-aquáticos, como o tênis. Em 1961, a construção da Ilha dos Jangadeiros possibilita melhores condições de navegabilidade para os velejadores associados. Situa-se na rua Liberal, próximo ao Morro do Osso, o Cemitério da Tristeza, implantado em meados de 1951. Atualmente, o bairro Tristeza caracteriza-se por ser um bairro residencial, e a Avenida Wenceslau Escobar concentra boa parte do comércio.
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Na região da orla do Rio Guaíba, predominam casas de alto valor, enquanto que na área próxima ao bairro Camaquã há edifícios de médio e pequeno porte. Já a zona próxima ao Morro do Osso (limítrofe ao Bairro Ipanema), ainda há a sobrevivência de uma tranqüilidade que foi perdida com o processo de urbanização ao longo do século XX.

Referências Bibliográficas: FRANCO, Sérgio da Costa Franco Porto Alegre: Guia histórico. Porto Alegre: Ed. Da Universidade/UFRGS, 1992. SOUZA, Célia Ferraz de e PESAVENTO, Sandra Jatahy. Imagens Urbanas: Os Diversos Olhares na Formação do Imaginário Urbano. Porto Alegre: Ed. Da Universidade/UFRGS, 1997. Porto Alegre. Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal da Cultura. Cristal. Porto Alegre: Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, 2003 (Memória dos Bairros).


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